Sul de SC fecha 2025 com o menor saldo de empregos formais dos últimos anos
Criciúma (SC)
O mercado de trabalho formal no Sul de Santa Catarina encerrou 2025 com saldo positivo de 7.704 vagas, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O desempenho foi o mais fraco para o período desde 2020, ano marcado pelos efeitos da pandemia.
A variação ao longo do ano se constituiu na principal característica da geração de empregos na mesorregião. Em janeiro e fevereiro de 2025, foram registrados os melhores desempenhos, havendo saldo positivo também em março e abril e o primeiro saldo negativo em maio. Nos meses de junho, julho, agosto e setembro, o saldo voltou a ficar positivo, embora em patamares menores que no mesmo período do ano anterior.
“Esse desempenho mais fraco já era parcialmente esperado, diante de fatores estruturais e conjunturais, como a perda de dinamismo da indústria local, especialmente em setores tradicionais como cerâmica, confecção e metalmecânica, que não tiveram um bom desempenho ao longo do ano”, explica o economista Leonardo Alonso Rodrigues.
“Junto a isso, houve a manutenção da taxa de juros em patamares elevados e o consequente aumento do custo do crédito no país, que desestimulou investimentos e contratações, e incertezas fiscais e econômicas, que levaram empresas a adotar postura mais defensiva”, completa o também economista Alison Fiuza.
Com base nos dados do Caged, os especialistas elaboram o Boletim do Emprego Formal, disponibilizado pela Associação Empresarial de Criciúma (Acic). O documento na íntegra, com informações e análises dos economistas, está disponível para consulta no site da entidade.
Recuperação e recuo acentuado
Já em outubro, o mercado de trabalho no Sul do Estado deu mostras de recuperação, obtendo no mês o terceiro melhor saldo do ano. “Esse resultado está majoritariamente associado à contratação de temporários, especialmente no comércio e em segmentos de serviços, em preparação para o período de final de ano”, aponta Rodrigues.[
No entanto, os economistas ressaltam que não se tratou apenas de um efeito sazonal típico. “Além da antecipação da demanda natalina, outubro refletiu uma janela de recuperação conjuntural, sustentada principalmente por serviços, e não por uma retomada mais ampla da indústria, que já apresentava sinais de fragilidade ao longo do ano”, destaca Fiuza.
Na sequência, o movimento de desligamento se acentuou, com saldo negativo na mesorregião em novembro e dezembro, mês em que foram fechados 5.196 postos de trabalho com carteira assinada na região.
“Historicamente, dezembro costuma registrar mais demissões que admissões, devido ao encerramento de contratos temporários e ajustes de fim de ano. Contudo, em 2025 esse movimento foi significativamente mais intenso, resultando no pior dezembro desde a pandemia. O saldo negativo expressivo teve impacto direto no acumulado anual, que fechou como o menor resultado desde 2020”, reitera Rodrigues.
Região Carbonífera
Na Região Carbonífera, o saldo acumulado de janeiro a dezembro ficou positivo em 2.093 empregos formais, também o menor resultado desde 2020. Em dezembro, a região registrou saldo negativo de 2.446 vagas.
Todos os 12 municípios da Amrec apresentaram retração no estoque de empregos no último mês do ano, com destaque para Treviso, que teve a menor variação negativa (-0,07%), e Balneário Rincão, com a maior queda (-2,98%).
Já Criciúma, principal polo econômico da região, fechou 2025 com saldo positivo de 724 empregos formais, mas também com o menor desempenho anual desde a pandemia. Em dezembro, o município apresentou saldo negativo de 1.069 vagas, influenciando diretamente o resultado regional.


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