Estudos propõem conscientização e ação
Criciúma (SC)
A Diocese de Criciúma promoveu, ontem (16), o primeiro dia de Estudo Diocesano da Campanha da Fraternidade 2017. Assessorados pelos professores do curso de Engenharia Ambiental da Unesc, José Carlos Virtuoso e Carlyle Torres Bezerra de Menezes, os 86 participantes refletiram o tema "Fraternidade: Biomas Brasileiros e Defesa da Vida" a partir do método ver-julgar-agir. A atividade foi realizada na Fundação Shalom, em Linha Batista, Criciúma.
A primeira parte da manhã foi dedicada à espiritualidade, com memória de outras CFs voltadas a questões ambientais, orações e reflexões. Em seguida, algumas características dos seis biomas presentes no Brasil – Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal – foram apresentadas à assembleia.
Reflorestar nem sempre é solução
O estudo focou o bioma Mata Atlântica, que alcança todo o Estado de Santa Catarina e parte de outros 16 estados, do Nordeste ao Sul. Conforme os professores, atualmente sua área não passa de 12,5% remanescente da floresta original, se juntados os fragmentos de mata restante. Virtuoso e Menezes advertiram sobre a cultura de plantio de árvores exóticas como eucalipto, pinus e casuarina, que, ao contrário de recuperar áreas degradadas, são responsáveis por um grave efeito colateral: impedem que outras espécies de plantas se desenvolvam ao seu redor ou sugam toda a água de nascentes e lençóis freáticos, formando o chamado "deserto verde".
Aumentam os prédios e diminuem as florestas
Os assessores também falaram a respeito de situações pontuais, como o caso do município de Criciúma que, hoje, conta com menos de 2% de sua vegetação original, sob uma forte "pressão imobiliária". "A ideia é verticalizar, mas a que custo? Temos ainda a cultura de que árvore dá trabalho, porque suja. E vamos gastar com energia por causa do ar condicionado", alertou Zeca Virtuoso, sobre um entre os inúmeros efeitos provocados pela impermeabilização do solo nas cidades, associada à verticalização, que aumenta a temperatura urbana.
Uma Santa Catarina queimada a cada cinco anos
Segundo o professor Carlyle, há 15 anos, o Brasil desmata 20 mil km² por ano, sendo que por um tempo esse número chegou a decrescer, até a aprovação do Código Florestal Brasileiro, em 2013, que provocou um retrocesso. "A cada cinco anos, nós queimamos uma Santa Catarina", comparou o assessor, ao falar sobre o espaço destruído para o cultivo de soja e milho, entre outros grãos.
Maior problema está nos rios
Conforme os assessores, o que os biomas brasileiros mais têm em comum é a poluição dos rios, especialmente nos estados considerados mais ricos. "Este modelo de desenvolvimento faz com que tenhamos a destruição e, na carta encíclica Laudato Si, o Papa Francisco propõe uma reflexão sobre esse modelo que está aí", pontuou o professor Carlyle.
Conscientização deve ser urgente
O professor Zeca chamou a atenção sobre o quanto a humanidade paga para recompor o que a natureza faz de graça, através de serviços ambientais que, até 2050, podem acarretar um prejuízo equivalente a 7% do PIB mundial. Outras questões negativas foram apontadas durante a discussão, como a construção de barragens para o abastecimento de água nas cidades, em função da destruição dos rios. Segundo eles, as barragens têm um tempo de vida útil e, no caso da Barragem do Rio São Bento, uma alternativa seria a idéia que já provoca mobilização sobre a revitalização do Rio Mãe Luzia. Ações concretas para transformação socioambiental também foram recordadas durante o estudo, como a ação de cooperativas agroecológicas e de reciclagem, associações de pescadores artesanais entre outras experiências sustentáveis na região. O período da manhã também foi marcado pela exibição do documentário "O pensamento ecológico de Pierre Dansereau", o qual aborda a dimensão da atual crise ambiental, cuja dimensão ecológica ainda não é compreendida. Quando fome e má distribuição de renda, degradação do solo, ar e água, são elementos de um fenômeno complexo e interdependente. (http://www.videosrelevantes.
Participantes propõem ações concretas
À tarde, padres, religiosas e leigos reunidos no estudo participaram de uma dinâmica proposta pelos assessores e apontaram dificuldades e aspirações, montando um "muro das lamentações" e uma "árvore dos sonhos". As reclamações sinalizaram para a falta de consciência ecológica, como o uso abusivo de agrotóxicos, falta de saneamento básico, rios e matas poluídos, desmatamento, exploração imobiliária, invasões em locais de mata ciliar, aterro de nascentes para construção de loteamentos, aberturas de minas de carvão, falta de ética em ações práticas e de comprometimento no agir de campanhas anteriores.
Entre os sonhos elencados pelos participantes, estão o fortalecimento de iniciativas de cooperativas, a concretização de projetos de saneamento básico nos municípios, maior atuação nos conselhos paritários, levar o tema da CF às câmaras de vereadores e associações de moradores, mapeamento de áreas com rejeitos e recuperação com plantio de árvores nativas, replantio de matas ciliares, arborização, coleta seletiva, desenvolvimento da agroecologia, proteção de nascentes e conservação de rios, atuação na defesa de políticas públicas para ampliar parcerias, cumprimento das leis ambientais, melhorar o plano de desenvolvimento aplicando o Plano Diretor, conscientizar para "os três R's: reduzir, reciclar e reutilizar", "ver o Rio Mãe Luzia com água limpa e cheiro de peixe".
"Se nosso principal líder disse que tem que ter ação, o recado já está dado" – disse Virtuoso, ao referir-se ao Papa Francisco. "Esperamos que os sonhos não fiquem pendurados na árvore seca. Não há soluções aqui, mas há caminhos", acrescentou, motivando a parceria entre comunidades e associações.
Turvo acolhe segundo dia de estudo
A Paróquia Nossa Senhora da Oração, em Turvo, acolheu o segundo dia de estudo diocesano da CF neste sábado, 18, das 08h30min às 15h30min. A atividade será realizada no auditório da Paróquia, sendo que 90 pessoas deverão participar e também fazer propostas, que na próxima semana serão levadas a conhecimento dos membros do Conselho Diocesano de Pastoral, para articulação de ações em âmbito diocesano.
TEXTO: ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO
FOTO: DIVULGAÇÃO








