• Como o apoio psicológico contribui para o tratamento de saúde mental e câncer

    A iniciativa promovida pela Rede Feminina de Combate ao Câncer de Içara (SC) reúne mulheres em tratamento para conversa

Como o apoio psicológico contribui para o tratamento de saúde mental e câncer

07 Mai, 2024 11:10:12 - Saúde

Içara (SC)

O câncer é uma doença desafiadora que vai além das batalhas físicas. Receber um diagnóstico oncológico gera uma série de mudanças emocionais na vida de uma pessoa.  Nessa luta, o suporte psicológico surge como uma ferramenta valiosa. Buscando desempenhar um papel fundamental no bem-estar e no tratamento eficaz das pacientes, a Rede Feminina de Combate ao Câncer (RFCC), iniciou um projeto de atendimento por meio da psicologia.  

A iniciativa é feita como forma de terapia em grupo. Os encontros são realizados com pacientes em tratamento do câncer e para mulheres que passaram pelo processo. O trabalho é magnífico, é lindo de ver. Já estamos no terceiro encontro com média de 12 pacientes frequentando. É um projeto que pretendemos levar adiante, abordando e tratando o lado emocional, falando sobre as mudanças que o câncer gera e como podemos lidar com essa situação, comenta a psico-oncologista e coordenadora dos Serviços de Saúde da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Içara, Andréa Cristina Pavei Soares. 

A incerteza, o medo do desconhecido e a ansiedade em relação ao tratamento são apenas algumas das muitas emoções que podem surgir. É aqui que entra o apoio psicológico, oferecendo um espaço seguro para os pacientes expressarem seus medos, preocupações e sentimentos, e fornecendo estratégias para enfrentar esses desafios. Conforme a coordenadora, este é um dos grandes pilares para o tratamento de cada mulher que descobre a doença.  


“Quando existe um diagnóstico de câncer, a pessoa perde o eixo, o seu chão e a sua segurança e é preciso que ela tenha uma reestruturação da vida dela. Nós trabalhamos desta forma para que a mulher, neste caso, possa se reencontrar, afinal ela não é um câncer, ela está com uma doença onde precisa permanecer emocionalmente fortalecida. Então a psicologia traz esse cuidado com o emocional para que a saúde mental esteja realmente saudável”, ressalta a coordenadora. 

O desabafo dos sentimentos 

Buscando proporcionar tranquilidade e apoio emocional as pacientes, a terapia é realizada em grupos por meio de encontros semanais. Como forma de desabafo em relações aos sentimentos comuns entre as mulheres em tratamento, a estudante de psicologia e estagiária da Casa Rosa Tatiana Cavalli oferece apoio durante os momentos de conversa.  

“A gente vem com a proposta de levantar um tema que elas têm interesse em falar. Isso vem da TCI, que é a Terapia Comunitária Integrativa. Então fizemos rodas de conversa, na qual cada mulher traz um assunto que gostaria de ser falado. Logo a gente elege um tema naquele momento e debate sobre ele”, explica Tatiana.  

Comentar sobre o que está passando ou o que já passou é um processo que contribui para encontrar soluções para problemas que surgem ao descobrir o câncer. Conforme a estudante de Psicologia, é durante as conversas entre as participantes que surgem as respostas para cada tratamento. 

Quando tivemos a ideia imaginávamos encontrar pessoas tristes por causa do diagnóstico, mas o que eu vejo é uma realidade totalmente diferente. Durante as conversas podemos perceber como é possível aprender e ter um novo olhar sobre a vida”, comenta.  

O contato com a terapia em grupo 

Para as pacientes que participam da terapia, estar com pessoas que compreendem os sentimentos é uma forma de tranquilizar a situação. Como é o caso da Elecir de Freitas, que descobriu o câncer em 2023 e está na luta pela cura. “Quando recebemos um diagnóstico como o câncer, a primeira coisa que passa pela cabeça é que vamos morrer”, relata.  

Para Elecir, a doença surgiu de forma inesperada, quando foi alertada pela família sobre o possível diagnóstico. O primeiro contato foi com a Casa Rosa, onde realizou todos os exames e descobriu o câncer de mama.  

“Desde o primeiro dia que eu cheguei na rede feminina e tive o diagnóstico, eu já recebi apoio. As profissionais me explicaram tudo o que eu iria passar e como iria acontecer, isso me tranquilizou bastante. Eu entendi que recursos para o tratamento e que o câncer não é o fim do mundo”, declara a paciente.  

A terapia em grupo foi uma das ferramentas oferecidas para Elecir, que aceitou o tratamento e hoje frequenta os encontros de apoio emocional.Esses encontros já me ajudaram a entender algumas coisas, principalmente que a gente precisa ser ajudada e que podemos pedir ajuda. Não tem problema se sentir frágil. Ali percebemos que temos esperança e não estamos sozinhas”, completa. 

Nesse caso, no cenário desafiador do combate ao câncer, a luta não é apenas a dificuldade do tratamento físico, mas também uma série de desafios emocionais. É muito importante a pessoa estar mentalmente bem para caminhar um dia de cada vez, entendendo que tudo passa e a doença também vai passar”, destaca a psico-oncologista 

(Trabalho de assessoria voluntária da disciplina de Assessoria de Comunicação, do curso de Jornalismo do Centro Universitário SATC, sob supervisão da professora Nadia Couto).

ASSESSORIA DE IMPRENSA

REDAÇÃO JINEWS
Postado por REDAÇÃO JINEWS

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