Câmara rejeita destaques e reforma trabalhista segue para o Senado
Brasília (DF)
O plenário da Câmara dos Deputados aprovou a reforma trabalhista na madrugada desta quinta-feira (27),
após a rejeição de dez destaques apresentados pelos partidos de oposição e de
partidos da base aliada que pretendiam modificar pontos do projeto (PL
6.786/16) aprovado na noite de ontem (26). Os outros destaques que seriam
votados nesta quinta-feira foram retirados e o texto segue para o Senado.
A sessão que aprovou a reforma foi aberta na manhã dessa quarta-feira e foi
encerrada às 2h06.
Apesar dos apelos da oposição, os deputados rejeitaram por 258 votos a
158, o destaque do PDT que pretendia excluir do texto a possibilidade de
contratação contínua e exclusiva de trabalhadores autônomos sem caracterizar
vínculo trabalhista permanente. Para o partido, a medida possibilita que
empresas possam demitir empregados e recontratá-los mais tarde como
trabalhadores sem os direitos trabalhistas de um trabalhador normal.“Dessa
forma, o trabalhador não tem mais direito a Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço [FGTS], a 13º e a nenhum direito trabalhista”, criticou o deputado André
Figueiredo (PDT-CE).A aprovação da reforma foi possível após um acordo entre o
líder do governo e de alguns partidos de oposição. Pela proposta, a oposição
retirou os destaques que seriam votados e, em troca, se comprometeu a não
obstruir a votação da Medida Provisória (MP) 752/16, que cria regras para a
prorrogação e relicitação de contratos de concessões de ferrovias, rodovias e
aeroportos. A MP tranca a pauta impedindo a análise de outras matérias em
sessões ordinárias.
Também foi rejeitado o destaque que pedia que a figura do trabalho
intermitente, no qual a prestação de serviços pode ser feita de forma
descontínua, podendo o funcionário trabalhar em dias e horários alternados,
fosse excluída do texto. O empregador paga somente pelas horas efetivamente trabalhadas.
O contrato de trabalho nessa modalidade deve ser firmado por escrito e conter o
valor da hora de serviço.
Também foi rejeitado o destaque de autoria do PSOL pretendia excluir o
artigo sobre a prevalência do acordo coletivo sobre a legislação, considerado a
“espinha dorsal” da reforma pois permite que o acordo e a convenção
prevalecerão sobre a lei em 15 pontos diferentes, como jornada de trabalho,
banco de horas anual, intervalo de alimentação mínimo de meia hora e
teletrabalho.Foi rejeitado o destaque do PCdoB que queria retirar do texto a
alteração na legislação trabalhista que possibilita a rescisão do contrato de
trabalho por acordo entre empregado e empregador, com divisão de direitos
trabalhistas como aviso prévio e multa do FGTS. Outro destaque rejeitado, do
PT, pretendia vincular a atuação da comissão de representantes dos
trabalhadores nas empresas com mais de 200 empregados ao sindicato da categoria
profissional.
Outro destaque rejeitado, do PT, pretendia retirar a proibição, prevista
no projeto aprovado que proíbe a permanência das regras do acordo coletivo
anterior até a negociação de um novo acordo, mesmo que ele não esteja mais
vigente.
Também foi rejeitado o destaque do PPS que queria tirar a restrição a
edição de súmulas sobre legislação trabalhista.
Os deputados rejeitaram outro destaque e mantiveram no projeto o ponto
que impõe uma quarentena de 18 meses para que um trabalhador que venha a ser
demitido de uma empresa possa ser novamente contratado como terceirizado pela
mesma empresa.
Os deputados rejeitaram ainda uma emenda do deputado Carlos Zaratini
(PT-SP) que vinculava trabalhadores terceirizados que prestem serviços a uma
empresa ao sindicato da categoria principal da empresa. O último destaque
rejeitado, do deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), queria retirar do texto
a extinção da contribuição sindical.
TEXTO/ FABIO MASSALLI/ AGÊNCIA BRASIL








