Não há o que comemorar neste 1º de maio

25 Abr, 2018 15:06:07 - Artigo

1º de Maio de 1886 – Chicago - Greve pela redução da jornada de trabalho. Perseguição, prisão e condenação de lideranças operárias, os chamados mártires de Chicago: Parsons, Engel, Spies e Fischer foram enforcados, um outro,Lingg, suicidou-se na prisão. Eles e toda a classe operária lutavam contra a superexploração capitalista, caracterizada pelo trabalho extenuante (jornadas que chegavam a 14 horas diárias), salários miseráveis e nenhuma garantia social e previdenciária. O que aconteceu em Chicago, ocorreria também em todos os países onde o processo de industrialização foi instalado: de um lado capitalistas que tinham toda a liberdade para explorar do jeito que bem entendessem os operários e do outro os trabalhadores que passaram a cooperar e a se organizar entre si para criarem os primeiros sindicatos e conquistarem as primeiras leis trabalhistas.

1º de Maio de 2018 – Brasil.  A classe patronal comemora o maior retrocesso na legislação brasileira, são seis messes da implantação da chamada Reforma Trabalhista. Prometeram mais emprego, mais qualidade de vida, modernização das relações de trabalho. Embutidas e bem ocultas nas falas e promessas dos ideólogos patronais da Reforma: possibilidade da ampliação da jornada de trabalho para até 12 horas diárias, violenta redução de salário (por meio do contrato intermitente) das empresas contra ações judiciais de seus empregados, gestante pode trabalhar em atividades insalubres, fim do pagamento das horas extras, fim do direito do trabalhador de ter a sua rescisão conferida pelo sindicato, fim do FGTS/férias/13º salário para os trabalhadores contratados como autônomos exclusivos entre demais perdas. Estamos caminhando a passos céleres para o início do século XX. Para a classe empresarial brasileira, modernizar não tem a ver com futuro, tem a ver com o passado, com o tempo que as relações de trabalho não tinham norma regulamentar. Eles sonham olhando para trás.

1º de Maio de 2018 – Os trabalhadores brasileiros não têm o que comemorar. A herança de direitos dos que lutaram antes foi desprezada pela tirania capitalista. Cuspiram nos rostos dos trabalhadores e trabalhadoras, mentiram para eles e os puseram de joelhos. É hora de reerguer-se de sair da passividade e mostrar aos tiranos do capital, que a revolta corre em nossas veias e o que nos pertence, pertence também a nossos filhos e netos e por isso não pode ser roubado. 1º de Maio não é dia de festa é dia de protesto!

Edegar da Cunha Generoso
Presidente Sindicato dos Bancários de Criciúma e Região

REDAÇÃO JINEWS
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