Mudanças de hábito do consumidor pode extinguir o horário de verão

22 Set, 2017 16:32:05 - Educação

Tubarão (SC)

O horário de verão sempre causou polêmica. As opiniões são divididas. Tem muita gente a favor e outras nem tanto. Entre os elogios estão os benefícios de sair do trabalho enquanto ainda está claro ou sentir que o dia está mais longo, e entre as reclamações  estão as desordens do sono e até mal estar, por exemplo. No entanto, esta mudança no relógio não é só biológica. Ela implica também nos hábitos de consumo de energia elétrica e é exatamente esta questão que está sendo discutida esta semana no Congresso Nacional, pois o governo federal estuda extinguir o horário de verão.

Este ano, o horário de verão está previsto para iniciar no dia 15 de outubro de 2017 e terminar no dia 17 de fevereiro de 2018. Mas pode ser que isso não aconteça. O governo federal está avaliando a conveniência de manter ou não essa alteração no horário. A implantação deste projeto tem por finalidade a economia de energia elétrica, e o que está em questão é justamente isso. O horário de verão, segundo estudos apresentados recentemente pela ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) revelou que nos últimos anos o resultado foi neutro.

O engenheiro eletricista, Djan de Almeida do Rosário, professor do curso de Engenharia Elétrica da Unisul, explica que os consumidores vão utilizando a energia elétrica de maneira diferenciada de acordo com os seus hábitos, de acordo com os períodos do dia. “Das 17h30 às 21h as pessoas estão chegando em casa, acendem as lâmpadas, assistem televisão, tomam banho, ligam ar-condicionado, tudo isso faz com que o consumo aumente. É chamado de horário de ponta. Após às 21h30 ocorre uma redução do consumo. Durante a madrugada esse consumo cai drasticamente e isso gera impactos sobre a operação do sistema elétrico que de alguma maneira precisa ser melhor equilibrado”, explica.

Pensando neste equilíbrio foi instituído o horário de verão, visando tirar proveito de uma característica existente no planeta. No inverno se tem menos horas de sol por dia, ao passo que no verão se tem um aumento do número de horas de sol por dia. Isso faz com que no inverno comece a anoitecer por volta das 17h30 e no verão esse horário costuma ser em torno das 19h30 da noite. Existe um prolongamento da quantidade de horas de sol no verão. E é desta característica que se tira proveito do horário de verão. “Mais horas de sol faz com que as pessoas ao chegarem em casa por volta das 17h30 não liguem os equipamentos que consomem energia. Há luz natural entre 17h30 às 19h30 e com o horário de verão deslocamos ainda mais esse período de sol, que vai até as 20h30 da noite”.

Em teoria, ao adiantar os relógios, as pessoas aproveitam mais a luz do dia nas horas úteis e gastam menos energia em casa ou no trabalho. No entanto, ultimamente esses hábitos de consumo de energia elétrica tem sofrido mudanças. Segundo o professor Djan do Rosário, o que está acontecendo é um deslocamento desse horário de ponta para o período da tarde no verão. Por que isso? Primeiro, a partir do meio dia se tem uma intensificação do calor e isso tem feito com que as pessoas utilizem mais o ar-condicionado e o ventilador. Esse aumento da quantidade de aparelhos ligados no período vespertino tem feito, então, um aumento do consumo nesse período que, além de deslocar a ponta daquele horário tradicional das 17h30 até às 21h30 para o período vespertino, tem tirado essa vantagem que o horário de verão tem proporcionado.

“O que antes se conseguia economizar principalmente pela redução de cargas que somente eram ligadas no período a partir das 17h30, agora as cargas começaram a ser ligadas mais intensamente em um período em que não se consegue tirar proveito dessas horas de insolação. Os agentes do setor elétrico, como a Agência Nacional de Energia (ANEL) e outros atores através de estudos tem mostrado que a economia com o horário de verão não tem sido mais relevante. Então, está aí esta discussão de não se instituir o horário de verão a partir deste ano. Porque em razão destas mudanças de habito, e essas mudanças podem ser advinda das mudanças climáticas, efeitos do aquecimento global, por exemplo, tem mudado o habito de consumo de energia elétrica. Essas alterações não estão viabilizando o horário de verão como recurso para economizar energia elétrica”, explica o professor Djan.

De acordo com informações da Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina), na última década o horário de verão possibilitou redução média de 4,5% na demanda por energia no horário de pico e economia de energia de 0,5%, em todo o horário de verão, equivalente ao consumo mensal de energia em Brasília, com 2,8 milhões de habitantes. Em Santa Catarina, a redução da demanda prevista é de 165 MW, o que proporcionará a redução do carregamento do sistema de atendimento. Para a região da Grande Florianópolis e para o litoral Sul do estado, com a adoção do horário de verão, será evitada a sincronização por razões elétricas de uma unidade geradora (1 x 80 MW) na UTE Jorge Lacerda B, de outubro/2016 a fevereiro/2017, sem prejuízo da segurança operacional do suprimento, proporcionando uma economia da ordem de R$ 5 milhões. No entanto, o governo está avaliando também se o horário de verão pode ser positivo para outros setores, como comércio e turismo, pois muitas pessoas têm mais uma hora para consumir, o que seria benéfico para a economia.

TEXTO/ ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO

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