• Içara Nossa Terra Nossa Gente (222)

Içara Nossa Terra Nossa Gente (222)

11 Out, 2017 09:35:42 - Colunistas

E ontem mais uma viagem à Floripa. O dia amanheceu com sol manhoso; hora aparecia hora se escondia entre as nuvens opacas. O marido meio apreensivo, já não gosta de enfrentar o trânsito, especialmente a famosa e temível travessia da ponte tão movimentada. Mas como não gostamos de faltar aos compromissos, nos colocamos na estrada, acompanhados de Nabor João Teixeira, o concorrente ao Troféu Ilha da Graciosa, como pesquisador. Eu meio muda e constrangida pelo fato de estar sempre colocando pessoas de minhas relações pessoais em um trânsito tão movimentado e prometendo que irei renunciar a todas essas participações. Não podemos participar de um trabalho cultural onde não há respaldo da administração municipal. Pagamos nossa gasolina, nosso desgaste, nossos gastos para trazer troféus à cidade, uma cidade geminada, e nem sequer somos reconhecidos em nosso esforço. É desgastante e sem nexo nosso trabalho. Vejo tantas divulgações das medalhas esportivas e muitas vezes nem são içarenses. Mas sendo trabalhos referentes a cultura de base étnica e popular não há menção, não há aplausos e nem reconhecimento. Como somos otários!!

Pois bem, para iniciar nosso dia encontramos as lotações de professores que se dirigiam à capital para a manifestação contra atos do governo. Acariciei minhas saudades da colega de faculdade, a Neide e sua filha Sani, que estavam engajadas na passeata. Foi um encontro para elevar o meu ânimo. Saí mais animada, embora não conformada pela falta de ajuda para um momento tão importante a nós, conselheiros do NEA.

A entrada do local da reunião, o auditório da Reitoria, levou-me a refletir mais sobre os valores da vida e seus desdobramentos com pessoas de Sombrio, Gaivota e Torres. Foi ali que velaram o corpo do Reitor que buscou o voo para a eternidade na queda livre do Shopping da cidade. Não recuperou-se, psicologicamente, pelo fato de ser preso sob suspeitas de corrupções na Universidade. Um fato inesquecível. Mas logo a conversa andou por rumos diversos e iniciamos a reunião ordinária para em seguida passarmos à votação. Lembrei-me de outros tempos, especialmente quando a Eliana Juncoski foi dirigente da Fundação, nos reuníamos na Fundação Cultural de Içara para fazer contatos com outros municípios e darmos nossos votos em consonância com nossos anseios de municípios vizinhos. É uma saudável conivência politica. Hoje só nos resta fazermos essa corrente como Associação que somos, conselheiros do NEA e nos intercâmbios culturais que fazemos. Somos solitários, mas solidários e precisamos buscar apoio mais longe, embora seja cansativo a nós.

Mas como temos um conceito coerente do que é a cultura e seus ricos e valiosos meandros, somos ouvidos e atendidos em nosso trabalho a nível estadual. Saímos mais uma vez vitoriosos. A ACAI – Associação Cultural Açoriana de Içara trouxe mais uma vitória e no próximo dia 31/10, na cidade de Penha, o pesquisador da cultura de base açoriana e escritor Nabor João Teixeira, receberá mais um troféu ilha da Graciosa. São anos seguidos de valorização do trabalho da Associação Cultural Açoriana de Içara. Somos um município com destaque em Pesquisa, com dois troféus ilha da Graciosa; em educação com o Troféu Ilha de Santa Catarina conquistado pela EEFM. José Fernandes Silveira; um troféu ilha do Corvo como destaque de artesão cultural.

Não me sentiria a vontade para revelar nosso trabalho, agraciado ao nível de Estado, se o Jornal Içarense não fosse nosso parceiro por mais de 30 anos divulgando-o, e se não fossemos convidados a receber o troféu Içarense 2017 pela valorização desse trabalho. Parabéns Nabor, Marcionei, Diretora Marcia Beatriz, profª Elza de Mello Fernandes. Parabéns ACAI!!

ELZA DE MELLO
Postado por ELZA DE MELLO


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