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Içara Nossa Terra Nossa Gente

01 Nov, 2017 09:20:02 - Colunistas

Vamos chegando aos finais do ano letivo. Já observamos as primeiras nuances do mês de Novembro e com ele as vésperas do Natal e o encerramento do ano letivo escolar. Os dias passam galopando por entre nossa rotina e labuta e o tempo empurra com violência os ponteiros das horas diárias. E tempo vale ouro, nos aponta o regime capitalista comas muitas seduções de propagandas que enfeitam as vitrines do comércio.

Mas hoje é final de Outubro e, atualmente, está muito presente o halloween, o folclore norte americano em nossas atividades. Mesmo sem conhecer a origem do halloween, aplica-se nas atividades pedagógicas e sociais. Crianças e adolescentes exibem maquiagem e roupas diferenciadas que marcam o dia. E porque reverenciamos práticas fora de nosso contexto cultural, é bom termos conhecimento prévio quando passamos em nossas atividades pedagógicas. É fato de que o ensino sistematizado é colocado no currículo após estudos documentados; sejam objetos de uso cotidiano, obras de arte, inscrições e tudo o mais que as pessoas criaram e que possam servir como testemunho da vida em sociedade. Só assim há a garantia de uma compreensão da vida cotidiana, fruto da educação de base familiar. Afinal a escola se propõe a dar continuação a educação de base familiar complementando com os conteúdos sistematizados no currículo do ensino formal. Ampliar o conhecimento que a criança tem em sua bagagem de vida é essencial e indispensável nos primeiros anos da educação básica. E será que o halloween vem dessa bagagem familiar?

Ao conhecer a história de Santa Catarina, conhecemos a existência folclórica da bruxa, afinal nossa capital catarinense é cognominada Ilha da Magia. Franklin Casacaes foi incansável em falar e descrever nossas bruxas e bruxinhas catarinenses em ação. É notório o poder das bruxas em nossas localidades litorâneas. É notório também todo bem que essas mulheres marcadas pelo empoderamento fraterno realizaram em nossas comunidades carentes e sem quaisquer assistências. E hoje suas sobreviventes caminham anônimas e destituídas de sua base cultural marcada pelo preconceito. Somos apenas as mulheres que correm com lobos e quase sempre devoradas em nossos ideais e combatidas em nossos direitos. Os novos professores quase sempre desconhecem a nossa história de base cultural e folclórica para repassar em forma de conhecimento contextualizado, e pescam as novas performances que a mídia dita à sociedade massificada e deslumbrada pela sedução consumista.

Pode-se falar do halloween, sem dúvida, mas com conhecimento. E conhecendo as práticas culturais local, ampliar novos conhecimentos midiáticos como informação. Afinal se formos à raiz do halloween, havia o encerramento do ano nesse dia das bruxas, inclusive o natalício do Menino de Belém seria no mês de outubro . Toda uma transformação ocorrida no calendário e na vida social da época, marcada pelas festas pagãs e que as datas cristãs serviram como apagamento. Se estamos vivendo uma aldeia global onde as comunicações nos coloca diariamente em contato com outras nações, é necessário termos uma formação bem estruturada para sermos um povo com sabedoria e preservarmos nossa cultura. Os imigrantes vivem e nos dão noticias diárias de sua vida em outros países e em outros continentes, mas precisam adequar-se a vida local e a sua cultura. Isso porque a cultura é o caráter de uma nação e precisa ser preservada.

E como somos um povo e cada povo tem a sua história, sejamos autênticos com nossa história de vida. O melhor bem que deixamos aos nossos filhos é a marca de caráter com que será reconhecido em todos os tempos e em todos os lugares.


ELZA DE MELLO
Postado por ELZA DE MELLO


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