• Içara Nossa Terra Nossa Gente

Içara Nossa Terra Nossa Gente

08 Nov, 2017 10:46:24 - Colunistas

Quando amanheceu, eu me dei conta de que havia sido convidada para uma oficina na Biblioteca Municipal Cruz e Sousa, nossa Biblioteca Pública. E como considero a AILA – Academia Içarense de Letras e Artes a guardiã da cultura de nosso município, não hesitei em participar do evento. Até porque o convite veio de Ana Paula Gallas Fernandes e sua colega, a Alice Meis, ambas içarenses e em estágio de final de curso naquela instituição. Não tinha noção do quão rico seria esse encontro, simplesmente atendia ao convite das futuras graduadas em Artes.

Revisando um pouquinho de minhas anotações pessoais me dei conta de que em 07/11/1968, em São Paulo foi inaugurada a nova sede do Museu de Arte, uma data muito rica culturalmente. E em 08/11/1793, Paris deu abertura ao LIVRE para o público. E eu indo a um encontro na Biblioteca Municipal entusiasmada pela ideia das meninas, ciente de que ainda há quem saiba a riqueza do registro para a posteridade em forma de livros. Ainda há consciência do valor cultural da literatura.

Quando a professora Selma Dassi, a pessoa convidada para tratar sobre cuidados, conservação e restauração de livros iniciou a sua fala, fiquei deslumbrada. Não sabia que há diversas maneiras de detectar os danificadores de um livro e impedir a perda de ricos documentos que marcam a história de nossa terra e de nossa gente. Foi fabuloso compreender as diversas maneiras de conservar nossos acervos e até mesmo restaurar preciosidades escritas que dão sentido de nosso ser e fazer humanamente cultural e nossa riqueza artística. A abiblioteca serviu de mote para sua explanação e ficou claro em sua observação que o lugar é ideal quando a luminosidade, a área livre de umidade, a dispersão das estantes e do material das mesmas, a higiene com que a funcionária mantem no recinto. E nós, presentes, nos deliciando com a sabedoria da Professora Selma Dassi.

Foi apresentada do acervo da biblioteca, a edição de um missal de 1760, toda em latim e já comprometida por danos de usos e de falta de cuidados. A professora identificou o papel e calculou como restaurar a obra e o valor do documento para o nosso município. Uma data em que poucos municípios existiam e Urussanga Velha já mantinha a fé religiosa e a sua identidade Católica Apostólica Romana. Época em que a Igreja governava a vida civil com os seus registros de Batismo e Crisma, bem como o seu registro de falecimentos pelo Padre da Freguesia. Presença constante em documentos içarense que, se fosse guardado e conservado com critério teríamos um patrimônio cultural muito denso e rico de nossos antepassados e nossas origens. Documentos mostram a fidedignidade de nossa história local, nossa autonomia como povo. Descuidar desse patrimônio é perder um elo do tempo vivido e do que foi construído e legado às novas gerações.

A riqueza do repasse trazido até nós, que nos propusemos a presença na manhã do dia 07 de novembro, foi assimilada. E saímos bem mais enriquecidos e conscientes do que se desliga em razão do desconhecimento de quem está a frente de órgãos públicos e desconhecem o valor de nossos acervos. Amar seu povo é reconhecer seu passado e amar seu presente projetando o seu futuro.

ELZA DE MELLO
Postado por ELZA DE MELLO


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