Histórias de família

10 Jul, 2017 15:58:21 - Artigo

Uma grande lição sobre vida, família, felicidade e humanidade. É o que ensina “Lion – Uma jornada para casa”, longa-metragem que conta a história real de um menino pobre que, aos cinco anos, se perde da família na Índia e enfrenta uma verdadeira saga até ser adotado por um casal da Austrália. Aos quase 30 anos, o rapaz tem flashes da infância e se desespera ao imaginar que sua mãe e irmão o procuram há mais de 20 anos, iniciando aí uma busca incansável pelo seu passado e suas origens.

Apesar do sofrimento vivido pelo protagonista ainda na infância, a história é bonita porque ressalta a importância da família, seja construída pelos laços de sangue ou amor. Em Lion, a mãe que acolho o garoto de cinco anos não tem problemas de fertilidade e transforma a adoção numa opção consciente, em acordo com o marido. A adoção não é um plano B nem um prêmio de consolação, mas uma escolha de constituir uma família, que aumenta com a vinda de outro menino, também indiano. Anos mais tarde, em outra atitude altruísta, a mãe adotiva apoia o filho na busca pela mãe biológica.

Baseado em uma história real, Lion também aborda outra questão: o sonho de muitos em constituir família. Em Santa Catarina, esse é o desejo de cerca de três mil pessoas inscritas no Cadastro Único Informatizado de Adoção e Abrigo (Cuida). Porém, diferente do filme, as exigências são muitas. Cerca de 80% querem um bebê recém-nascido ou com menos de três anos, saudável, sem irmãos, de etnia branca e que seja menina. Ocorre que a imensa maioria das crianças aptas à adoção não se encaixa nesse perfil. Esse desencontro faz com que muitas delas tenham de continuar ainda mais tempo nos abrigos.

Campanhas como “Adoção: Laços de Amor”, encampada pela Assembleia Legislativa em 2014, buscam desconstruir essas exigências e mostrar que as famílias se formam quase instantaneamente quando há amor. No meu convívio, tenho exemplos próximos de adoções bem sucedidas. Na minha família são três sobrinhos, acolhidos em datas e situações diferentes, mas totalmente integrados.

A vida, como no filme, traça caminhos improváveis para que as pessoas se encontrem. E sou da opinião de que, quando é para ser, não se deve hesitar. Todas as famílias têm e sempre terão seus problemas, mas não é a origem de cada um que vai definir nada. Basta ver nas famílias biológicas as diferenças gritantes entre irmãos criados nas mesmas condições. É preciso abrir o coração e aceitar os presentes que a vida tem para dar. Felicidade não combina com preconceito.

Antonio Gavazzoni
Advogado e doutor em Direito Público

REDAÇÃO JINEWS
Postado por REDAÇÃO JINEWS

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