• Elza de Mello fala de Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha

Elza de Mello fala de Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha

16 Ago, 2021 14:43:16 - Colunistas

Içara (SC)

Euclides Cunha, como era conhecido, nasceu em 20 de janeiro de 1866, na Fazenda Saudade, em Santa Rita do Rio Negro, município de Cantagalo, na  Província do Rio de Janeiro. Era filho de Manuel Rodrigues da Cunha Pimenta e Eudóxia Alves Moreira da Cunha. Órfão de mãe desde os 3 anos de idade, passou a viver em casas de parentes em Teresópolis , São Fidélis e Rio de Janeiro. Em 1883, ingressou no Colégio Aquino, onde foi aluno de Benjamin Constant que muito influenciou a sua formação, introduzindo-o à filosofia positivista. Em 1885, ingressou na Escola Politécnica, e no ano seguinte, na Escola Militar da Praia Vermelha, onde novamente encontrou Benjamin Constant como professor, tornando-se brevemente um militar. Ingressou no jornal A Província de São Paulo, hoje O Estado de S. Paulo  enquanto recebia título de bacharel e primeiro-tenente.

Contagiado pelo ardor republicano dos cadetes e de Benjamin Constant, professor da Escola Militar, durante uma revista às tropas atirou sua espada aos pés do ministro da Guerra Tomás Coelho. A liderança da Escola tentou atribuir o ato à "fadiga por excesso de estudo", mas Euclides negou-se a aceitar esse veredito e reiterou suas convicções republicanas. Por esse ato de rebeldia, foi julgado pelo Conselho de Disciplina. Em 1888, desligou-se do Exército. Participou ativamente da propaganda republicana no jornal A Província de S. Paulo.

Proclamada a república, foi reintegrado ao Exército recebendo promoção. Ingressou na Escola Superiorde Guerra e conseguiu tornar-se primeiro-tenente e bacharel em Matemáticas, Ciências físicas e naturais. Casou-se com Ana Emília Ribeiro, filha do major Sólon Ribeiro, um dos líderes da proclamação da República. Em 1891, deixou a Escola de Guerra e foi designado coadjuvante de ensino na Escola Militar. Em 1893, praticou na Estrada de Ferro Central do Brasil.

Em 1897, tornou-se jornalista correspondente de guerra e cobriu alguns dos principais acontecimentos da Guerra de Canudos, conflito dos sertanejos da Bahia, liderados pelo religioso Antônio Conselheiro, contra o Exercito Brasileiro. Os escritos de sua experiência em Canudos, renderam-lhe a publicação de Os sertões, considerada uma obra notável do movimento pré-modernista, que além de narrar a guerra, relata a vida e sociedade de um povo negligenciado e esquecido pela metrópole.

Reconhecido por seu trabalho, Euclides Cunha foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1903. Viajou para a região norte do Brasil em uma campanha de demarcação de suas fronteiras, a qual chefiou. Lá, escreveu obras de denúncia e, ao voltar para o Rio de Janeiro, trabalhou no gabinete do Barão de Rio Branco.

Seu casamento com Ana Emília Ribeiro foi marcada foi marcado por fatalidades. Cheio de ciúmes, Euclides tentou assassinar o suposto amante de sua esposa, contudo foi morto por este em 15 de agosto de 1909, no que ficou conhecido como "Tragédia da Piedade".

Sua obra continua relevante no âmbito nacional e é estudada no mundo acadêmico. Cidades fortemente ligadas a sua vida comemoram a Semana Euclidiana, em razão de Os Sertões. A obra é reconhecida por seu regionalismo e neologismo, típicos do período pré-modernista, e influente nas origens do modernismo. No centenário de sua morte foi realizada em sua cidade natal, uma série de exposições do Projeto 100 Anos Sem Euclides.

ELZA DE MELLO
Postado por ELZA DE MELLO


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