Coluna de Elza de Mello - 9 de maio/2019

09 Mai, 2019 09:18:40 - Colunistas

Içara Nossa Terra Nossa Gente Nuances da Cultura Açoriana (15)

Esta semana está sendo atípica, com uma boa dose de e-moção no ar devido ao dia das mães que será celebrado no próximo domingo (12/5). Embora Açores já comemorou em 5 de maio, primeiro domingo do mês, no Brasil é feste-jado no segundo domingo de maio. E o mês é carregado de sentidos e sentimentos que raz a devoção à Maria, presen-tificada na aparição de Maria aos três Partorzinhos, na Cova de Íria, Nossa Senhora de Fátima. 

Maio também é dedicado às noivas e as rosas mostrando a beleza sutil da vida humana e vegetal, pois estamos vi-vendo a estação de outono. Um bom tempo de falarmos das mulheres que nos antecederam e nos deixaram um legado cultural tão precioso. 

Em um tempo em que a mulher era submissão e silencio diante da sociedade, nossas mulheres ocuparam a liderança de seus lares sempre obedientes ao pai e, na sequência, ao  marido. Tudo era produzido da roça à cozinha, e as mulheres se dedicavam a colocar na mesa o alimento  conseguido com a criatividade e experiência culinária. Era delas também a produção da roupa de cama, mesa, banho e uso pessoal.

Com as pastas de algodão colhidos as donas de casa ves-tiam e embelezavam a sua família. E enquanto o marido dormia para renovar as forças do dia exaustivo de trabalho nas lavouras, ou de cavalgada nas viagens, ela e as moças da casa faziam o serão batendo as pastas do algodão cardado ou fiando na roda para ter a linha de urdir os teares. Era uma labuta que muito cedo as meninas conheciam e mãos de-licadas aprimoravam nas rendas de bilros. 

As mulheres conheciam também os segredos da anatomia humana e eram parteiras por excelência, benzedeiras que detinham o tratamento paliativo para as dores da alma, além de conhecer as ervas curativas das dores e doenças físi-cas. O quarto, as mezinhas cuidadosamente montadas mos-trava a organização para vencer as doenças, enquanto o altar-zinho com seu santo de devoção indicava a fé no Divino, aquele que nunca abandona um dos filhos.

Entre essa faina que nossas ancestrais viveram, pude vi-venciar minha bisavó materna, Clarinda da Rosa Teodoro que nasceu ao alvorecer da colonização de Urussanga Velha, antes da libertação dos escravos, na família Silva e Figueira. Casada com um membro da família Fernandes Teixeira, deixou como sobrenome Teodoro. Um erro que deu-se ao costume de nomear as pessoas com o nome de pais e avós, como o marido era conhecido – José João Teodoro. Ou seja José, filho de João, neto de Teodoro Fernandes Teixeira.

O registro era a certidão de batismo que assim foi escrito e assim ficou registrado como sobrenome. Casada aos 14 anos, Clarinda foi mãe por excelência, esposa dedicada, vizi-nha serviçal e mulher inesquecível para quem com ela con-viveu. Tinha dedos de ouro para produzir rendas de bilros e crivos dos mais finos. A ela minha gratidão e admiração.

Joaquina Silveira de Mello, minha avó paterna que não cheguei a conhecer, mas que era muito lembrada como a pessoa que costurava para as noivas, delicados vestidos, e ricos enxovais. Era acompanhante da mãe, Alexandrina  de Souza Silveira e juntas, além das costuras, orientavam todo a bufet de uma festa de casamento na região. Foi esposa e mãe exemplar e as descendente são  mulheres atuais que se miram em seu exemplo de vida. 

Joana da Rosa dos Santos, a professora afro que ensinou a leitura e a escrita a duas gerações na sala de sua casa escola, enquanto cuidava dos filhos. Foi uma mulher a frente de seu tempo e lecionou na primeira escola do município de Içara (SC), situada em Sanga Funda e posteriormente em Balneário Rincão, na escola construída para ela lecionar. 

Um abraço fraternal a todas as mães!

ELZA DE MELLO
Postado por ELZA DE MELLO


Satc