Coluna de Elza de Mello - 4 de abril/2019

04 Abr, 2019 09:33:16 - Colunistas

IÇARA NOSSA TERRA NOSSA GENTE – Nuances açoriano (10)

Içara, um núcleo de colonização formado pela grande sesmaria entre as barras do rio Urussanga e do rio Araranguá, já era povoada por indígenas Carijós de tronco linguístico Tupi. Com uma orla marítima citada como caminho do mar, muito cedo recebeu incursões de vicentistas que penetraram pelas florestas no apresamento de índios para o comercio escravagista dos ditos negros da terra. Não restaram heróis apresadores de índios e nem índios escravizador de seus irmãos. Porém, bem cedo foram criados os sítios, cuidados por escravos para abastecer as Entradas e Bandeiras provenientes do estado de São Paulo. É conveniente lembrar que Santa Catarina foi um pequeno lote, e seu Capitão Hereditário não tomou posse. Sua esposa acabou arrendando pequena Capitania de Santana para um vicentista, e sempre houve as incursões paulistas por nosso território. Encontrar alguém que deixou marcas de sua passagem é vasculhar longe e perceber que a Educação foi a primeira bandeira de luta por um status mais elevado na grande gleba do território içarense, ainda no período republicano. E então encontro a figura do velho mestre que veio trazer o letramento ao povoado e fazer eleitores quando da criação do terceiro distrito eleitoral criado desde Tubarão até São Pedro do Rio Grande. Surge a figura do Mestre, o marinheiro Salustiano Nunes de Mello que, a partir de Urussanga Velha foi mestre sala para adolescentes que procuravam adquirir a Leitura, a Escrita e a Aritmética, até 1909. Daí retirou-se para Lagoa dos Esteves e tornou-se um próspero agricultor, produzindo farinha de mandioca que era embarcada em barcos e navios a partir do porto de Hercílio Luz.

Sucedeu-lhe o Professor Salustiano Antônio Cabreira, o funcionário público concursado pelo estado de Santa Catarina, na mesma escola de Urussanga Velha. Dedicado ao ensino e comprometido com o seu amado Distrito de São Sebastião de Urussanga Velha, deixou uma marca insubstituível na educação de nossos ancestrais. Seus restos mortais estão sepultados em Urussanga Velha embora tenha passado seus últimos dias de vida em Siderópolis, junto a uma das filhas, após a sua viuvez e sentindo o peso dos anos. É lembrado como Patrono da Escola de Faxinal dos Guedes.

Celso Salustiano Cabreira, o escrivão - Figura de destaque foi escrivão do primeiro cartório içarense, criado no Distrito de São Sebastião de Urussanga velha e, após mudança do Distrito de Urussanga Velha para a vila de Içara, levou o seu cartório para o novo Distrito onde trabalhou e viveu até os últimos dias de sua vida. Era um grande conhecedor dos terrenos e de seus proprietários sesmeiros e após a criação do registro civil, os novos habitantes içarenses passaram por seus livros de registros. Foi o escrivão Celso Salustiano Cabreira que desmembrou as sesmarias para novos proprietários e dividiu as heranças de herdeiros na sucessão das partilhas de famílias.

Gervásio Teixeira Fernandes – o politico, foi uma dos últimos adquirentes da sesmaria de Urussanga Velha, o primeiro intendente e o representante de Içara na Prefeitura de Criciúma nos seus primeiros anos como distrito de Içara. Gervásio foi um próspero comerciante e um idealista voltado ao desenvolvimento da localidade de Pedreiras, onde tinha seu domicilio e seu estabelecimento comercial. É lembrado como Patrono da Escola de Pedreiras. Nossos primeiros destaques são provenientes da zona litorânea, conforme o tempo de povoamento e o desenvolvimento socioeconômico da época. Mas são gestos de gente içarense a quem devemos reverenciar como nossa gente. (continua .... )

ELZA DE MELLO
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