Coluna de Elza de Mello - 31 de maio/2017

31 Mai, 2017 10:51:11 - Colunistas

IÇARA NOSSA TERRA NOSSA GENTE (213)

O mês de maio está fechando com chuva. Chove e choveu durante toda a semana. Os ânimos não são bons diante de tanta chuva sem trégua. Os agricultores perdem parte de suas lavouras com as águas incomuns dessa época, e as mães perdem a calma com as roupas sujas que se avolumam nos cestos. Mas como não há solução, vamos administrar a situação com esperança de que o mês de junho nos brinde de cara ensolarada. Hoje nem escutei as previsões de Coutinho para não perder as esperanças, e deixar de sonhar com um junho ridente e ensolarado.

Bem...vamos desviar a atenção do tempo e mirarmos em outros tempos para amenizar o clima. E como gosto do tempo histórico, a data vem a calhar para a nossa matéria de hoje.  O ano de 1900 encontrou a localidade de Urussanga Velha próspera e progressiva. A população de Terra Firme dava passagem aos carreteiros que iam e vinham com as muitas safras do extremo sul brasileiro, a capela de São Sebastião e seu cemitério registravam em batizados e óbito, uma população ativa e laboriosa. Estávamos enquadrados ao território de município de Criciúma, que tomara foro de  Distrito de  São José de Criciúma. Nessa época também estávamos desvinculados do território de Jaguaruna.

Em 1930, Urussanga Velha possuía Escolas Reunidas, intendência, cadeia, cartório e a capela de São Sebastião que trazia moradores, parentes e romeiros para as grandes festas: em Janeiro festejava-se o Padroeiro São Sebastião, e em outubro festejava-se a Nossa Senhora do Rosário, a Padroeira da população afro do lugar, e de outros lugares, que se faziam presentes, de onde quer que estivessem. Bom comércio fazia parte desse tempo: armazém e loja de Antônio  Canto; fábrica de bebida especializada em gasosa, de Alcino Cruz; pousada, padaria e armazém de Andre Borges; fábrica de banha da empresa Sttüp e Pinho; serrarias tocadas a roda d’água, palhoça de aproveitamento de palha de butiá; engenho de açúcar e de farinha de mandioca; casa de comercio de Antônio Helena; entre outros estabelecimentos ao longo de Rio Acima, Tibuques e de Terra Firme. A Mina São Sebastião engrossava o saldo econômico das famílias e a pesca farta que a lagoa fornecia à população. Das terras às águas, em tudo havia uma generosidade ímpar às famílias ali residentes.

Assim, em 28 de maio de 1933, com a presença do Juiz de Direito, João Luna  Freire, sob o Decreto Nº 334, Urussanga Velha foi elevada a Distrito de São Sebastião. Um ato político que marcou a localidade e seus líderes da época. Foram nomeados para administrar o Distrito os senhores: Gervásio Teixeira Fernandes – intendente; Aristides da Silva – Juiz de Paz; Senhorzinho Teixeira Fernandes- delegado;  e a Senhora Serafina Joaquina da Conceição, agente de correio. Essas recordações ainda estão muito vivas na memória de pessoas que nasceram e viveram toda a sua vida em Urussanga Velha. É sempre um prazer enorme e uma riqueza maior falar com essas pessoas e desenhar em memória o seu relato.

Obrigada dona Maria Vieira Serafim pela tarde contemplativa que vivemos, e pelo café da tarde, delicioso que degustamos entre as risadas e a felicidade de estar ali, diante de si. Parabéns guardiã de uma rica e memorável historia, a história de nossa terra e de nossa gente.

ELZA DE MELLO
Postado por ELZA DE MELLO


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