Coluna de Elza de Mello - 3 de maio/2019

03 Mai, 2019 09:13:27 - Colunistas

Içara Nossa Terra Nossa Gente Matizes Açoriano (14)

E o último final de semana de Abril  foi perfeito para a Família Fernandes. Fechamos a casa e passamos um dia de integração junto aos familiares. Um encontro marcado pela emoção com o reencontro de pessoas que moram distantes, mas estão sempre em nossas recordações e habitam em nosso coração. O diferencial de outros encontros é que a equipe organizadora foi nossos filhos.  Entre  muita cantoria foi servido o almoço, após um data show com fotos tiradas do fundo do baú. E como estamos falando da Família Fernandes, com emoções sempre a flor da pele, as lágrimas eram as mensageiras das saudades e das alegrias. E houve quem preferisse fazer seu discurso cantando para evitar no choro; mas houve belos e merecidos pronunciamentos. Só após um farto café da tarde é que as famílias foram se despedindo e seguindo para as casas de origem. 

Minha maior emoção foi o presente, ou seja, o mimo que recebi de Marizalva, nossa menina que escolheu Portugal para a promoção profissional e adotou a terrinha para sempre. E como ela é um de meus xodós, estamos sempre em sintonia com nossas saudades e lealdade de admiração. Eita menina valente!! Conhecendo minhas pesquisas e admiração pela cultura lusitana, ela presenteou-me com uma toalha de mesa em estampas, tipo azulejos portugueses e uma outra com as  estampas (hoje industrializadas) de antigos lenços de despedidas, na época das grandes navegações e nas imigrações. Ou seja, lenços que esposas, namoradas e noivas bordavam para os amados e os ofertavam na despedida do embarque. Alguém juntou alguns dos lenços e costurou uma toalha e, mais tarde, fotografando-a, fizeram a estampa. Um mimo mais que amoroso, histórico para ser guardado com carinho dobrado.

E como estamos falando de nossos heróis anônimos, continuo minha coluna falando de Teóphilo Casemiro da Silveira, o acolhedor. Pai de  quatro filhos, criou sobrinhos e parentes que precisaram de ajuda e a todos dotou de herança moral e econômica. A casa sempre foi aberta a educação escolar e as lu-tas sociais e religiosas. Foi um homem além de seu tempo e hoje o nome é homenageado como Patrono da escola de Barracão, onde residiu durante toda a vida. Sobrinho de Cândido Silveira, teve o sobrenome da mãe – Ana Silveira. O pai foi Florentino Réus, família sesmeeira e migrante na grande sesmaria que iniciava no Rincão e vinha até Rua da Palha, atual Bairro São José.  Foi por força do trabalho com os familiares e outras pessoas, que necessitavam de estradas para chegar ao litoral, que a primeira rodovia passou a ser aberta, além da pi-cada entre a floresta. Foram dias e meses de trabalho no roçado, no destocamento das árvores e no trabalho de nivelamento da estrada toda feito manualmente, somente usando machados, enxadas e pás.  Um grande empreendimento feito gratuitamente para o bem de todos que usavam as rudes picadas a pé e não podiam trazer do mar, os pescados em grande quantidade. E Marizalva é bisneta desse grande líder que a história não registrou ainda, mas seus feitos estão visíveis para ser homenageado. 

Oriate Cândido Silveira, o menino órfão que Teóphilo Silveira acolheu em casa. Com o falecimento do pai e do irmão mais velho e uma paralisia que tolheu os movimentos de seu irmão acima de si, Dona Alexandrina pediu que o cunhado e padrinho levasse o menino para cuidar e educar. Ela ficara grávida e foram tantas tragédias na vida da família que ela teve medo de perder o rebento. Então o padrinho levou-o, criou e educou como a seus filhos. Oriate era exímio violeiro e rabequista além de  muito cantador (trovas). Animava bailes e festas com o tio Cazuza. Foi Oriate que estabeleceu-se com extração de carvão em sociedade com Domício Freitas e exploraram os poços 1 e 2 em Mineração (Bairro Aurora) de Içara (SC), depois mudou-se para Imarui (SC), buscando as terras dos avós e não mais voltou. (continua...).  

ELZA DE MELLO
Postado por ELZA DE MELLO


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