Coluna de Elza de Mello - 25 de abril/2019

25 Abr, 2019 09:33:27 - Colunistas

Içara Nossa Terra Nossa Gente Nuances da Cultura Açoriana (13)

E porque estamos vivendo no século 21, é comum pensar que os tempos idos era um tempo peculiar. Que havia os caciques e a raia miúda pronta para obedecer ordens. Um quadro um tanto desfocado da realidade em que viveram nossos ancestrais no principio de colonização do atual município. 

A cultura de base açoriana foi vivida e absorvida por quem compartilhou o espaço das sesmarias  e as decisões sempre tiveram um líder, que era seguido por todos. Não era um chefe para comandar, mas um líder que tinha ideias mais arrojadas e se fazia ouvir pelos demais. E então eu volto a citar a Família Réus, que participou do ideal do canal de navegação, que uniria a ligação das lagoas da faixa litorânea,  unindo-as ao Rio Grande do Sul. Nesse tempo Manuel Patrício Réus seguiu de Urussanga Velha para fundar a cidade de Araranguá (SC) as margens do rio Araranguá que contemplaria o porto marítimo pela barra do rio Ararangua. O irmão Júlio Patrício Réus deixou Urussanga Velha, com os escravos, para comandar o trafego que passaria pela Lagoa do Arroio Corrente e desceria também pela zona lacustre de Içara (SC) onde estavam fixados  os armazéns dos compradores de farinha de mandioca. Jaguaruna (SC) estava com a promessa de se tornar freguesia e o outro irmão assumiria cargo politico, a exemplo de Manuel Patricio. Urussanga Velha seguiria anexada a Jaguaruna (SC). 

Em Lagoa dos Esteves havia famílias dos casais açorianos com uma boa produção econômica: Amaro Mauricio Cardoso, o comerciante da ponta da Lagoa de Esteves, que também mantinha uma escola na própria residência para a educação dos filhos e moradores que se associavam para receber o letramento. Amaro Cardoso foi um líder em todos os aspectos sociais em seu contexto, quer na localidade onde viveu até a mudança do  Distrito de São Sebastião Urussanga Velha que chegou a ser nomeado intendente, mudando o nome do Distrito para Aliathar Martins e em seguida, perdendo foros para a vila de Içara, onde foi residir com a mudança do Distrito; ou em Içara (SC) onde foi um comerciante muito bem conceituado. Hoje é nome de rua na área central.

Donílio Estevâo da Silva, o comprador de farinha de mandioca e de chapéus de pallha, que mantinha o armazém e fazia o transporte da farinha produzida no lugar em canoas e lanchas impulsionadas por remos, através da lagoa até o pontão, em Jaguaruna (SC). Era ele que também mantinha o comércio que dava assistência a população com gêneros indispensáveis  a vida humana e os cuidados com a assistência religiosa na capela de São Jorge. Era Donilio Estêvão da Silva que fornecia a logística para as romarias da grande Festa de São Jorge em Lagoa dos Esteves. Estevão da Silva representa com muito louvor a localidade de Lagoa dos Esteves em uma época bem remota. 

Jorge Fortulino da Silva, o sonhador com o progresso,  que desde jovem desempenhou liderança entre os mora-dores do lugar. Foi um próspero comerciante e comprador de farinha de mandioca. Assistia ao povo local com os tecidos, gêneros de última necessidade e ativou a escola, onde a es-posa educou os filhos, os moradores locais e deixou as filhas trabalhando com a educação formal em Içara (SC).

A bandeira de luta de Jorge Fortulino da Silva fez com que a rodovia de Pedreiras à Lagoa dos Esteves fosse revesti-da de argila e se tornasse transitável para automóveis,  que era impraticável devido ao areal. Hoje pavimentada é caminho de entrada da rota turística de Balneário Rincão (SC), levando a denominação de Rodovia Jorge Fortulino, homenageando  com louvor a quem tanto se dedicou por seu chão com tanto zelo telúrico. Nossos heróis anônimos são exemplos a ser seguido, vivido e perpetuado os feitos para a posteridade. (Continua na próxima edição).

Ótimo fim de semana para todos os içarenses.

ELZA DE MELLO
Postado por ELZA DE MELLO


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