Coluna de Elza de Mello - 21 de novembro/2018

21 Nov, 2018 13:58:26 - Colunistas

IÇARA NOSSA TERRA NOSSA GENTE (315)

E o 35º AÇOR encerrou suas atividades já com um novo convite para 2019, no município de Penha. Nada mais animador que um convite  para uma nova festa, como acontecia em tempos remotos, nas festas dos padroeiros das localidades. Despedia-se do fabriqueiro da festa com a saudação: ‘adeus e até o ano que vem se Deus quiser’. Assim é o AÇOR. A festa é o ato de congregar-se com todos os municípios de base cultural açoriana em um município sede. E este município que sedia o AÇOR se faz cicerone de muitos visitantes por três dias de festas e convívio. Uma festa que não acena às bebedeiras, as libertinagens e outros acenos que as festas deixam em evidência. É uma festa popular onde os grupos de danças, cantadores e folguedos popular e o folclore fazem a animação. Todos os municípios tem participação na animação da festa e todos os municípios estão ali para animar e dar apoio aos artistas populares. É uma confraternização muito bacana. Uma chama acesa para os valores  religiosos, o artesanato, a culinária, as modas e danças ancestrais. Nossos filhos e netos participam juntamente com nós, pais, tios, avós e não há exclusão de ninguém. As rodas de eira, as cantigas mais antigas e as manifestações mais primitivas são levadas ao palco como a mais fina diversão.

Neste ano de 2018, o município sede foi Porto Belo, conhecido no período colonial como Enseada das garoupas, que teve o seu povoamento entre 1753 e 1758, com cerca de 50 casais açorianos. Como a terra era promissora, a Corte Portuguesa decidiu encaminhar para a Enseada das Garoupas 101 colonos, no ano de 1819, da cidade de Ericeira, região pesqueira de Algarve - Portugal. E essa nova imigração deu origem a colônia de pescadores denominada Nova Ericeira.  Em 1824, passou a categoria de Freguesia de Senhor Bom Jesus dos Aflitos e no ano de 1833 foi elevado a município de Porto Belo. Uma história de muito trabalho, fé e harmonia entre os casais das ilhas açorianas e os portugueses continentais, que com braços fortes e muita fé ergueram um belo patrimônio cultural em Santa Catarina. Construído de fé, de amor familiar e preservação da cultura de seus ancestrais, Porto Belo tornou-se um belo município que tem no turismo a marca de seu desenvolvimento econômico.

E nos três dias de AÇOR, esquecemos que éramos de outros municípios e nos tornamos irmãos na mesma identidade cultural, nos mesmos valores humanos alicerçados nas instituições religiosa, educativa e nas instituições públicas como a prefeitura, Arquivo Público, etc. sempre presente em todos os eventos. É, porque também estávamos representando nosso município de origem. Também levamos ao prefeito de Porto Belo o abraço de nosso prefeito de  Içara. Assim é o AÇOR. Em todas as avaliações não se contam os embriagados pelo excesso de bebida oferecida na festa, nem os bailes que deixam margem as exacerbações eróticas. É uma festa tão familiar que o Prefeito de Porto Belo serviu nos alojamentos onde estavam os participantes do AÇOR, um delicioso café da manhã todos os dias.

Agora, malas desfeitas, roupas lavadas, bandeiras recolhidas e guardadas, artesanato recontado e planejado para refazer o que foi vendido, segue a vida. Ainda falta entregar a lembrancinha ao nosso prefeito e agradecer em publico a gentileza de transporte ao nosso grupo de danças ‘Aurora Açoriana’. Sem a oferta do transporte não poderíamos contribuir com a apresentação artística da tarde de domingo. Nossa contribuição para com o município que nos recebeu com tanto reconhecimento de nossos valores culturais. E agradecer ao grupo que representou Içara com galhardia. Parabéns a vocês que fazem acontecer o grupo Aurora Açoriana!!!              

ELZA DE MELLO
Postado por ELZA DE MELLO


JInews