Coluna de Elza de Mello - 17 de outubro/2019

17 Out, 2019 13:56:27 - Colunistas

Içara Nossa Terra Nossa Gente Matizes de Açorianidade (29)

Domingo, 13 de outubro, foi dia de Pedreiras celebrar a festa da padroeira Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Aparecida. Com o feriado de 12 de outubro, a comunidade celebrou o tríduo: Sexta-feira, Sábado e Domingo, quando fechou os festejos do ano de 2019. Mesmo estando anexada a Paróquia de São Francisco de Assis,  Centro de Balneário Rincão (SC), Pedreiras é um lugar que guardo as mais sublimes recordações.

Ali nasceram e cresceram meus avós paternos e ali também nasceu minha mãe. E porque meus avós maternos tinham a morada em Pedreiras, eu convivi com os pedreirenses desde os primeiros anos de vida. Uma convivência tão agradável que sempre pensei minha vida adulta naquela localidade. Hoje, com os avós falecidos e os demais familiares mudando de endereços, meu carinho continua. Os convites para participar de eventos em Pedreiras  deixa-me feliz e levou-me até a capela que presenciei a construção e ampliações ao longo da história.

Sempre com muita luta, a localidade erigiu uma capela para acolher a padroeira, em madeira, e aos poucos foi mudada para outra, em alvenaria, que mais tarde foi ampliada e remodelada com muito carinho deixando visível a história anterior, quando Padre Silvestre Junkes era o Pároco da Igreja Matriz São Miguel. 

Padre Bento recebeu aos fiéis com muito carinho, destacando a presença do prefeito Jairo Celoir Custodio e do vice-prefeito, Luiz da Luz, um filho da terra. Agradeceu a presença de pessoas de outras comunidades que, como eu, senti-me acolhida com os demais presentes. Depois nos presenteou com uma bela homilia em que reconheci, mais uma vez, o carisma de Evangelizador. Mas a surpresa maior ficou com uma ação teatralizada da história de Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Aparecida, com integrantes do grupo de danças da etnia Açoriana.

A presença jovem de Maikon Ferreira Vargas traduziu o amor da Mãe pelos excluídos da época, os escravos agrilhoados em correntes do cativeiro da época. E porque a mãe não esquece nunca os filhos seus, a Imaculada de Aparecida fez o milagre ao salvar um dos muitos filhos escravos da fúria do capitão do mato, o temível perseguidor dos assujeitados ao cativeiro. Em suas feições e cor, Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Aparecida traz a feição da sociedade explorada, vilipendiada e excluída do tecido social no Brasil colônia.

Entre a celebração litúrgica, senti uma saudade imensa de pessoas que estiveram a frente dos trabalhos leigos da época e procurei, inconscientemente a presença de dona Oranda Fernandes Silveira, encontrando em resposta ao meu pensamento a família do filho, o Toninho de dona Oranda, como costumávamos a nos referir. Ele ali, com  familiares respondeu ao meu questionamento interior: sobrevivemos em nossas raízes, independente de tempo e de espaço. Ali estavam participando muitos dos catequisados, outros apóstolos que falavam de trabalho de fé e de amor pela capela e religião.

Depois de um saboroso almoço nos propomos a apresentar modas açorianas, mas o tempo prolongado nos arremates, um mau súbito em um dos componentes e a busca de socorro nos dispersou. Ficou suspensa nossa apresentação, que seria mais um resgate a cultura local, uma das comunidades mais marcadas pela cultura açoriana, a localidade que deu a Içara (SC) o primeiro politico como intendente do Distrito  de Urussanga Velha e, posteriormente, vereador por Criciúma (SC). Parabéns aos organizadores da festa e a comunidade de Pedreiras, ao pároco Padre Bento e ao grupo que participa conosco na Associação Cultural Açoriana de Içara. 

A emancipação do novo município não nos desligou de nosso amor a cultura ancestral.

ELZA DE MELLO
Postado por ELZA DE MELLO


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