Coluna de Elza de Mello - 17 de abril/2019

17 Abr, 2019 09:12:50 - Colunistas

Içara Nossa Terra Nossa  Gente Matizes de Açorianidade (12)

É certo de que a imigração açoriana, a primeira a entrar em território içarense ficou mais localizada na zona litorânea, devido a demarcação que foi estabelecida dos altos cômoros, duas letras a dentro da mata atlântica. E seguindo esta linha tivemos nossos limites demarcados por riachos, marcos em pedra ou alguma arvore que demarcas-se os limites dos lotes das sesmarias. Dessa maneira Rua da Palha, Barreira, até onde esta a firma Librelato, e parte da Terceira Linha estavam nos limites das sesmarias. 

E as famílias fixadas nessas regiões eram herdeiras ou adquirentes do patrimônio das terras distribuídas aos imigrantes açorianos. Vejam que os limites do Distrito de São Sebastião de Urussanga Velha era a estrada de ferro, Ferrovia Dona Therezza Christina. E foi neste território imenso e pouco habitado, onde ainda havia  a presença indígena que os açorianos sentaram as tralhas e iniciaram a construção de suas casas tão humildes, usando as varas da mata e cobertas com folhas de palha existentes.

Mas se as casas eram tão simples, a educação de base familiar era aprimorada pelas orações de agradecimento a Deus por estarem em uma terra generosa, as lavouras e segura dos abalos sísmicos que tanto os fez sofrer ao ponto de abandonar as amadas freguesias.  E no Brasil, a terra das bem-aventuranças, as famílias se puseram a viver a vida fraterna que tanto desejaram. Havia sempre um líder a frente de cada povoado e tratava de dar harmonia à localidade com os recursos que toda sociedade almeja. A elevação de Urussanga velha à Distrito fez com que se destacassem o sesmeiro e fabriqueiro, José Fernandes Teixeira que com os escravos da terra organizavam a festa do padroeiro São Sebastião em janeiro com toda agenda religiosa e social. Era um encontro com romarias de todos os lugares povoados ao sul de Santa Catarina. Em Outubro havia a festa de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, e toda a população afro passava por Urussanga Velha para a grande festa sociorreligiosa que integrava as duas etnias em um só evento. Nesse contexto foram heróis anônimos:

Jose Fernandes Teixeira, o organizador dos terrenos que trazendo o cartório para Urussanga Velha, com o agrimensor e genro, Donato Paladino, mediu e demarcou todos os terrenos para a escritura pública, inclusive organizou as doações dos terrenos de capelas e cemitérios para que a Mitra fizesse as escrituras. Nessa época quem não tinha dinheiro ficava sem escrituras e sem terrenos. Os endinheirados efetuavam a compra e  os donos originais foram expulsos. Dizem que, amado e odiado, essa foi a razão para ele mudar de domicilio para Araranguá (SC).

Mas foi a oportunidade de os afros que já haviam adqui-rido alguma economia, receber a escritura do antigo se-nhor. Tivemos descendentes afros com posses de terras em Urussanga Velha. Ainda nesta época o Sacristão Virgílio e a esposa Exaltina, de origem afro, são lembrados por serem os zeladores da igreja de São Sebastião de Urussanga Velha. Cuidavam das alfaias com todo o zelo que uma mulher dedica as coisas sagradas e da hospedagem dos padres em visita missionária ao local. Também era ofício de Virgílio, oferecer assistência religiosa aos defuntos com um enterro cristão e a guarda do livro de óbitos para que o padre assinasse na passagem pelo lugar.  

Outra mulher lembrada com carinho foi dona Santa parteira e rezadeira, de origem africana era a mãe de to-dos os morenos, como costumavam referir-se quando tratava das origens. As portas da pobre casa eram abertas noite e dia a todas as criaturas necessitadas e desvalidas do lugar. Ela era batizada e católica, mas nunca deixou de praticar ritos e mitos da cultura afro, por isso a sabedoria e os passes eram respeitados por todos, embora temido pelos fieis que ouviam as reprimendas dos padre em suas homilias. (continua....) 

Tenham todos uma ótima semana e feliz páscoa.

ELZA DE MELLO
Postado por ELZA DE MELLO


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