Coluna de Elza de Mello - 16 de janeiro/2019

16 Jan, 2019 08:56:09 - Colunistas

IÇARA NOSSA TERRA NOSSA GENTE – MATIZES AÇORIANOS (2)

E então  o mês de janeiro vem fazendo o seu calor efeito estufa como nos últimos tempos. Tudo e todos sofrem com o calor, porém o conforto que temos atualmente camufla a onda de calor. Não fosse a possibilidade de refrigerar o ambiente, estaríamos nas condições do povo nordestino: dispensando os forros das casas, usando a rede em vez do conforto de uma cama. Só as brisas marinhas nos dão as boas vindas como um abraço refrescante. Mas o mês de janeiro nos faz recordar  a maior festa sócio religiosa no município de Içara. Era a festa da romaria onde vinham famílias de todas as localidades, com seus carros de bois e uma verdadeira mudança para os três dias festivos. Porém a razão de São Sebastião ser o patrono daquela localidade é um fato interessante e muito instigante quando analisamos. 

Existem inconsistências no relato da vida de São Sebastião: o édito que autorizava a perseguição sistemática dos cristãos pelo Império foi publicado apenas em 303 (depois da Era Comum), pelo que a data tradicional do martírio de São Sebastião parece precoce. O simbolismo na História, como no caso de Jonas, Noé e também de São Sebastião, é visto, pelas lideranças cristãs atuais, como alegoria, mito, fragmento de estórias, uma construção histórica que atravessou séculos. A fé do povo é que ninguém desmotivou até os dias atuais aos milagres de nosso intercessor.

O bárbaro método de execução de São Sebastião fez dele um tema recorrente na arte medieval, surgindo geralmente representado como um jovem amarrado a uma estaca e perfurado por várias setas (flechas); três setas, uma em pala e duas em aspa, atadas por um fio, constituem o seu símbolo heráldico. Bem como eu conheci a imagem de Urussanga Velha.

Tal como São Jorge, Sebastião foi um dos soldados romanos mártires e santos, cujo culto nasceu no século IV e que atingiu o seu auge na Baixa Idade Média, designadamente nos séculos XIV e XV, tanto na Igreja Católica como na Igreja Ortodoxa. Embora os seus martírios possam provocar algum ceticismo junto dos estudiosos atuais, certos detalhes são consistentes com atitudes de mártires cristãos contemporâneos.

São Sebastião na Umbanda também tem sua presença.  Talvez tenha sido a presença afro, em Urussanga velha, que deu mais ênfase ao seu Padroeiro. Nas tradições afro-brasileiras, a entidade Oxossi, na Umbanda, é sincretizado como São Sebastião. Oxossi é uma grande entidade das florestas e das relações entre o reino animal e vegetal. Grande caçador, comumente é representado nas florestas caçando com seu arco e flecha. No Brasil, ele é celebrado com festas e feriados no dia 20 de janeiro como padroeiro de várias cidades:

Em 1503 foi criada a Vila de São Sebastião (villa de San Sebastião), na ilha Terceira (Açores) e talvez foi a influencia dos fieis de ilha Terceira, que nos trouxe a devoção ao Santo São Sebastião, já que havia uma  confraria em Urussanga Velha dedicado ao padroeiro daquela capela. Sincretismo e devoção estiveram juntos e misturados em todos os momentos festivos. Era comum levantar o mastro de São Sebastião entre cantorias e rufar de tambores saudando o Santo e chamando a participação do povo a grande e tradicional festa. Afros e europeus festavam juntos a todos os atos festivos, somente o baile era separado: um salão para baile de branco e outro salão para baile de afros.

E tal como sempre aconteceu, domingo teremos mais uma festa em louvor a São Sebastião, embora sem tanta ênfase  como no inicio da colonização de Urussanga velha, o antigo Distrito de São Sebastião e hoje, a localidade mais antiga de toda epopeia da colonização açoriana, pertencente ao no município de Balneário Rincão. Mas sempre a localidade de origem do município de Içara e de Balneário Rincão, com certeza.

São Sebastião, abençoe todo o seu povo, indiferente as razões étnicas ou religiosas.

ELZA DE MELLO
Postado por ELZA DE MELLO


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