Coluna de Elza de Mello - 14 de outubro/2019

14 Out, 2019 11:17:55 - Colunistas

Içara Nossa Terra Nossa Gente – Matizes Açoriano (30)

Domingo, dia 13 de outubro foi dia de Pedreiras celebrar a festa de sua padroeira, Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Aparecida. Com feriado no dia 12 de outubro, a comunidade celebrou o seu tríduo: Sexta-feira, Sábado e Domingo, quando fechou os festejos do ano de 2019. Mesmo estando anexada a uma nova Paróquia, a Paróquia de São Francisco de Assis, no Balneário Rincão, Pedreiras é um lugar que guardo as mais sublimes recordações. Ali nasceram e cresceram meus avós paternos e ali também nasceu minha mãe. E porque meus avós maternos tinham sua morada em Pedreiras, eu convivi com os pedreirenses desde meus primeiros anos de vida. Uma convivência tão agradável que sempre pensei minha vida adulta naquela localidade. Hoje, com meus avós falecidos e os demais familiares mudando de endereços, meu carinho continua. Os convites para participar de eventos em Pedreiras deixa- me feliz e levou-me até a capela que presenciei sua construção e ampliações ao longo de sua história. Sempre com muita luta, a localidade erigiu uma capela para acolher a sua padroeira, em madeira e aos poucos foi mudada para outra, em alvenaria, que mais tarde foi ampliada e remodelada com muito carinho deixando visível a sua história anterior, quando Padre Silvestre Junkes era o Pároco da Matriz São Miguel.

Padre Bento recebeu aos fiéis com muito carinho, destacando a presença do prefeito Jairo Celoir Custodio e seu vice-prefeito, Luiz da Luz, um filho da terra. Agradeceu a presença depessoas de outras comunidades que, como eu, senti-me acolhida com os demais presentes. Depois nos presenteou com uma bela homilia em que reconheci, mais uma vez, o seu carisma de Evangelizador. Mas a surpresa maior ficou com uma ação teatralizada da história de Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Aparecida, com integrantes do grupo de danças da etnia Açoriana. A presença jovem de Maikon Ferreira Vargas traduziu o amor da Mãe pelos excluídos da época, os escravos agrilhoados em seus correntes do cativeiro da época. E porquea mãe não esquece nunca os filhos seus, a Imaculada de Aparecida fez seu milagre ao salvar um de seus muitos filhos escravos da fúria do capitão do mato, o temível perseguidor dos assujeitados ao cativeiro. Em suas feições e cor, Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Aparecida traz a feição da sociedade explorada, vilipendiada e excluída do tecido social no Brasil colônia.

Entre a celebração litúrgica, senti uma saudade imensa de pessoas que estiveram a frente dos trabalhos leigos da época e procurei, inconscientemente a presença de dona Oranda Fernandes Silveira, encontrando em resposta ao meu pensamento a família de seu filho, o Toninho de dona Oranda, como costumávamos a nos referir. Ele ali, com sua família respondeu ao meu questionamento interior: sobrevivemos em nossas raízes, independente de tempo e de espaço. Ali estavam participando muitos de seus catequisados, outros apóstolos que falavam de seu trabalho de fé e de amor pela sua capela e sua religião.

Depois de um saboroso almoço nos propomos a apresentar nossas modas açorianas, mas o tempo prolongado nos arremates, um mau súbito em um dos componentes e a busca de socorro nos dispersou. Ficou suspensa nossa apresentação, que seria mais um resgate a cultura local, uma das comunidades mais marcadas pela cultura açoriana, a localidade que deu a Içara o seu primeiro politico como intendente do distrito de Urussanga Velha e, posteriormente de vereador por Criciúma.

Parabéns aos organizadores da festa e a comunidade local de Pedreiras, parabéns ao Pároco Padre Bento e ao grupo que participa conosco na Associação Cultural Açoriana de Içara. A emancipação do novo município não nos desligou de nosso amor a cultura ancestral.

ELZA DE MELLO
Postado por ELZA DE MELLO


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