Coluna de Elza de Mello - 12 de novembro/2019

12 Nov, 2019 13:43:10 - Colunistas

Içara Nossa Terra Nossa Gente Matizes de Açorianidade (32)

A data de 5 de novembro é Dia Nacional da Cultura. E como cultura é definida de várias formas, precisamos nos fazermos entender, caso contrário teremos inúmeros discursos em muitas das vertentes com que é definida a palavra, vejam só. Cultura  é um conceito de várias acepções, sendo a mais corrente, especialmente na antropologia, a definição genérica formulada por Edward B. Tylor. A cultura é “todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade”.  Embora a definição de Tylor tenha sido problematizada e reformulada constantemente, tornando a palavra “cultura” um conceito extremamente complexo é impossível de ser fixado de modo único. Na Roma antiga, seu antepassado etimológico tinha o sentido de “agricultura” (do latim culturae, que significa “ação de tratar”, “cultivar” e “cultivar conhecimentos”, o qual originou-se de outro termo latino, colere, que quer dizer “cultivar as plantas”), significado que a palavra mantém ainda hoje em determinados contextos.

Cultura é também comumente associada às formas de manifestação artística ou técnica da humanidade, como a música erudita europeia. Definições de “cultura” foram realizadas por cientistas sociais. Em um estudo aprofundado foi encontrado, pelo menos, 167 definições diferentes para o termo “cultura”. É impossível discutir negativamente a quantidade gigantesca de definições de cultura, considerando um progresso de grande valor o desenvolvimento de um conceito que fosse coerente internamente e que tivesse um argumento definido.  Assim, definiu-se cultura como sendo um “padrão de significados transmitidos historicamente, incorporado em símbolos, um sistema de concepções herdadas expressas em formas simbólicas por meio das quais os homens comunicam, perpetuam e desenvolvem seu conhecimento e suas atividades em relação a vida.” E dentro desse conceito temos nosso patrimônio histórico cultural que merece ser preservado para o conhecimento da posteridade.

Por ter sido fortemente associada ao conceito de civilização no século 18, a cultura, muitas vezes, se confunde com noções de: desenvolvimento, educação, bons costumes e comportamentos de elite. Essa confusão entre cultura e civilização foi comum, sobretudo, na França e na Inglaterra dos séculos 18 e 19, onde cultura se referia a um ideal de elite.  Ela possibilitou o surgimento da dicotomia (e hierarquização) entre as culturas “erudita” e “popular”, fortemente presente no imaginário das sociedades ocidentais. Creio que esse conceito fez com que a escola fosse um sonho de acessão social. Ainda tive uma educação com este sonho, embora tenha sida formada em uma escola pública e muito deficiente culturalmente. Uma escola apenas de informações de conteúdos privilegiados pela sociedade da época. Uma escola que não oportunizou ao conhecimento de um segundo idioma e muito pobremente trabalhou nosso vernáculo. Mas o sonho de acessão era trabalhado pela família e reforçado pelos professores que se sentiam construtores de uma ideologia de base cultural. Coisa que desapareceu nos dias atuais. Há famílias que mandam os filhos para a escola como uma obrigação imposta pelo conselho tutelar ou para poder trabalhar enquanto os filhos estão cuidados pela escola. Não há mais sonhos para essas crianças e assim nenhum desejo pelo saber escolar. Triste realidade que se torna maior ainda quando encontra professores que só lamentam o baixo salário e as obrigações profissionais. Escola sem utopia não floresce. E não florescendo não produz frutos para saciar a sede de saber.

Por outro lado, os ativistas culturais, que preservam valores de base cultural popular, não tem estímulo dos governos. O governo pensa apenas na “cultura erudita”, esquecendo que a cultura de base familiar é um substrato importante para a educação erudita. Ela á a base maior que a educação formal tem em mãos para ser trabalhada por professores e alunos na formação da construção cidadã. Mas não é isso que ocorre. Apadrinhados políticos ocupam os lugares que poderiam gerar  trabalho com pessoas que vivem e promovem a cultura. Que pena!  Governo que não privilegia a cultura do povo, incentiva o analfabetismo e a ignorância.

MASO NYETTO
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