Coluna de Elza de Mello - 12 de julho/2017

12 Jul, 2017 10:12:35 - Colunistas

IÇARA NOSSA TERRA NOSSA GENTE ( 217)

Os dias são atípicos de outros dias de inverno anterior. Dias de temperaturas mornas e claro são sempre bem vindos. Afinal, como dizia minha avó, sol no inverno é cobertor dos pobres.

Mas  hoje vou falar de Cultura, essa palavra tão propalada e tão mal conhecida e utilizada. Chego a fechar meus olhos quando ouço certas expressões e conceitos em falas de autoridades municipais a definir a cultura içarense. Sobretudo quando não toleram a cultura popular e não sabem definir um auto, apresentado por grupos populares, que expressam a sua cultura de base étnica, cultivada em algumas localidades e apresentado em folguedos. Desconhecendo a procedência e o valor cultural, não aceitam tais autos como se fossem denegrir o festival do momento. E com o conhecimento que tem e a autoridade que a administração lhes confere, acaba por querer padronizar o folguedo à moda atual, desejando a massificação para ser aceita.  É cômico, se não fosse trágico. O dirigente cultural desconhece  que tal folguedo retrata o sistema de idéias, conhecimentos, técnicas e artefatos de uma determinada época e determinada sociedade. E isso é um filão muito rico para ser mostrado como base cultural de uma etnia, e não pode ser mudado porque não é de gosto do dirigente cultural. E o mais trágico é que passa a haver perseguição contra esses grupos que não fazem o gosto da pessoa escalada  pela administração. Parece até piada. Você vota, elege o Prefeito e seus edis, trabalha gratuitamente e vira pedra de tropeço, o indesejável dos diretores e assessores de cultura.

Folheio a Proposta Curricular e entro no campo da educação Integral, a proposta nacional da reforma da Educação Formal e o que vejo? O conceito de que a educação integral trás a proposta de uma formação voltada a Cultura em todas as áreas do ensino aprendizagem iniciando pela cidadania que nos dá consciência de nosso papel social. Sobretudo a expressão de comportamento e atitudes que caracteriza uma determinada sociedade. Falamos de cidadãos e não de zumbis que só imitam aleatoriamente o que a massa proclama como bom e belo. Uma cultura cidadã onde o homem pensa e age  por conhecimento e não por manipulação. O Cidadão tem respeito pelo outro para ser respeitado. Sabe de seus deveres para ter seus direitos garantidos. Onde não se respeita os direitos do outro não há ordem social, e não havendo ordem social não há respeito e nem humanização. Há a barbárie.

E há pessoas que pensam que Cultura é apenas um discurso para palanques eleitorais. Desconhecem o compromisso com o desenvolvimento intelectual. Não tem o hábito da leitura e não investem em criações literárias contextualizada. Pensam que o conteúdo de História é apenas decorar datas e vitórias das guerras fomentadas pelas potências mundiais, surgidas para fazer parar o desenvolvimento de períodos e de  povos  que fazem sombra com a capacidade de governo que dispõem. E aí deixam de ensinar o resultado doloroso que as potências usam para dominar Nações emergentes.   

Para onde vai a educação? É o que clamam professores compromissados com o ensino aprendizagem. Mas eu penso...vai para a mesma vala comum da cultura. Não existe educação formal de nível  sem o conhecimento Cultural de sua nação e o amor a sua Pátria. 

ELZA DE MELLO
Postado por ELZA DE MELLO


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