Coluna de Elza de Mello - 07 de junho/2017

07 Jun, 2017 16:10:37 - Colunistas

IÇARA NOSSA TERRA NOSSA GENTE (213)

Entre dias chuvosos e nebulosos caminhamos a passos largos no ano 2017. Já estamos em junho, o mês das sanjoaninas, as festas mais populares de todo o mundo. Época das farturas nas farinhadas, nas colheitas e temperatura convidativa para um quentãozinho, ou como diziam nossas avós, uma boa concertada para aquecer o coração.

Mas o inesperado atualmente são as chuvas, o volume da água que a natureza chora sobre nossa terra . Tal chororó faz com que as safras sejam perdidas e os agricultores fiquem endividados. Um caso bem atípico. Perde-se a certeza do veranico de maio e da estação mais seca do inverno. Havia ano em que a terra enxuta adiava a semeadura das mudas de fumo. Hoje a terra empapada d’água apodrece a muda e estraga as vagens de feijão que estão prontas para colher. Que pena dos agricultores!

Mas outras ações vão sendo pensadas. A ACAI, Associação Açoriana de Içara tem a grata satisfação de compartilhar um jantar  com pessoas amigas e admiradoras da açorianidade  que reveste nossa cultura pioneira. Para não esquecer que foram povos distantes, das 9 ilhas açorianas, que singraram o mar e venceram as procelas, e aqui fincaram suas raízes para germinar um novo povo, o povo içarense. Compartilhado por outras etnias européia, somos um povo fraterno e ordeiro neste chão que Santa Catarina abençoou.

E domingo será o dia de reflexão e compartilhamento entre todos os que buscam um almoço com amigos e familiares para um dedo de prosa, como nossos avós e pais faziam nas festas que muitas vezes significava uma romaria. Um costume quase desaparecido, mas muito produtivo. Você será muito bem vindo!!

É gostoso lembrar a cozinha de nossas avós. O pouco recurso da época se misturava de muito gosto nas receitas e nos temperos zelosamente cultivados. Sempre fui uma menina observadora e olhava a horta de minha avó com um olhar especial. Cada erva preservada em seus canteiros, tinha um valor todo especial. Ou eram os temperinhos ou os chás para curar as doenças, especialmente as doenças da infância. Não havia como recusar o chazinho de vovó. Era tão precioso aquele medicamento com atendimento de carinho. Sei que o que mais curava era mesmo o amor e isso era muito bom para o corpo e para a alma.

São páginas que às vezes deixamos esquecidas no livro da vida. O tempo se encarrega de mudar as páginas e quando tornamos a vê-la, ficamos deveras emocionados. É um sentimento que hoje já está sendo esquecido pelas novas gerações, mas é um lenitivo da alma. Talvez a poesia explique com mais clareza. 

As laranjas douradas em sua total maturação nos dão a visão da entrada do inverno e das necessidades de um maior aconchego, um abraço mais envolvente. Junho é o mês que nos convida a rever os dons que o Pai nos legou em nossa missão. As Bandeiras do Divino Espírito Santo eram as anunciadoras dessa devoção aos dons, presença sagrada em nossa vida cristã.

Hoje tudo ficou para trás, mas é preciso mirar esse passado para reavaliar um caminho melhor às gerações vindouras.

ELZA DE MELLO
Postado por ELZA DE MELLO


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