Coluna de Elza de Mello - 02 de maio/2017

02 Mai, 2017 10:39:14 - Colunistas

IÇARA NOSSA TERRA NOSSA GENTE (212)

Lembro de um pensamento de Belchior, o músico que acabamos de perder ‘ no presente, a mente é diferente. O passado é uma roupa que não nos serve mais’.... e reflito a preciosidade das palavras. Assim como crescemos em estatura física, também crescemos mentalmente, intelectualmente. O crescimento nos acompanha por toda a nossa vida. E vivendo em um país capitalista, o crescimento econômico é mais que valorizado; é ambicionado. E isso nos faz perseguidor de capitais para sermos aceitos na sociedade globalizada e consumista. E a ânsia na busca de bens capitalistas, nos deixa descuidados de certos valores de cidadania. Pensamos em ter, usufruir e ainda em deixar para nossos descendentes, nos esquecendo que só com nosso suor não produzimos o montando do que almejamos e ambicionamos. Esse é o resultado da desigualdade social. A miséria que se forma nas periferias e adentram às cidades,  invade o meio rural com o descaso da ausência de políticas agrícolas. E ainda ouço os discursos inflamado de colegas, e vizinhos  justificando a crise brasileira com os menos culpados. Vejam:

Meu colega falou que a culpa do déficit da Previdência é dos agricultores, que se aposentam sem contribuir com a Previdência. Ele não sabe, e não tem culpa em não saber, porque não vive a vida e a situação de um agricultor, que no Brasil convencionou-se o seguinte. O agricultor paga todos os insumos sem subsidio algum. Adquire a sua máquina agrícola a duras penas. Planta, colhe, vende a preço muito baixo, perde a sua colheita quando o governo importa de países estrangeiros por acordos internacionais.  Enfim, trabalha de sol a sol e não tem nenhum apoio como em outros países. Para compensar, o governo lhe dá uma aposentadoria aos 55 anos, as mulheres e 60 aos homens. É um beneficio que ajuda nos remédios de controle da pressão arterial, dos reumatismos e outras doenças profissionais. Onde está o gozo de uma aposentadoria de agricultores? Chego a ficar triste quando ouço a referência de agricultores que falem a previdência com o seu beneficio. Poderia ser hilário se não fosse cômico acusar agricultores de rombo na Previdência.

Depois vem o rombo da previdência acusando as mordomias do professor: férias, descanso semanal, salário, cafezinho, etc....etc...et....que absurdo!! Quantas horas o professor gasta estudando por toda a vida para estar na frente de uma classe. As roupas do passado, aquelas que precisariam ser descartadas por não mais servir, são uma a uma reformadas pelo professor. Ele simplesmente trás para o presente, o passado que serve de baliza para direcionar novos caminhos, para exemplificar novos valores e conhecimentos. Professor não é um mero profissional, ele é um mestre. É o espelho onde os seus alunos se miram e se encontram em novos contextos históricos, geográficos e sociais.  E depois de 25, 30 anos vem o seu beneficio de auxilio para os remédios das mazelas que a profissão lhes deixou no corpo e na alma. Mal pago e mal agradecido pelo que fez para centenas de cidadãos, e outras centenas de novos profissionais, o velho mestre, se sobrevive as agruras da vida profissional, envelhece na humildade de seu lar. E esse ainda contribuiu com a Previdência que outros usufruem com luxos e regalias de outras mais valias. Quem trabalha não come a fatia do bolo, apenas os farelos, esta é a verdade.E vai em curso as reformas da Previdência. Uns e outros saem perdendo, mas creio que as mulheres viúvas, professores e trabalhadores braçais continuarão a dar o seu parco salário para a glória dos poderosos. Somos hebreus em terras egípcias?.... penso ...penso e não me conformo. 

ELZA DE MELLO
Postado por ELZA DE MELLO


JInews