Coluna de Elza de Mello - 01 de agosto/2017

02 Ago, 2017 09:35:29 - Colunistas

IÇARA NOSSA TERRA NOSSA GENTE (218)

Estamos no mês do folclore e isso nos remete a tanta memória popular, tantos causos que nos deixavam de cabelo em pé quando éramos crianças. Hoje fico a imaginar o que a nova infância vai falar em suas memórias sobre o folclore. Não há mais o hábito da conversa ao pé do fogão de lenha aceso nas noites frias, nos serões de farinhadas e nem nas noites de queima de fumo nas estufas. As crianças, desde amais tenra idade adormecem ligadas à net ou a TV. Os assuntos de conversas  familiares e os registros de fotografias de família estão desaparecendo para dar lugar às redes sociais e as selfs. Ainda bem que sobrou o registro de imagem!!

Outra recordação memorável de minha infância eram os provérbios usados por minha mãe e outras pessoas no mês de agosto. Vixiiii! Quantos recados de cuidados...  casamento no mês de agosto, nem falar. Eram tantos preceitos para não termos azar nesse mês que muitas vezes ficava me perguntando porquê o padroeiro do município de Içara era do mês de agosto. Não podia ser festejado um padroeiro com tantos cuidados de mau augúrio. Andávamos encolhidos de frio, visto o mês de agosto estar em pleno inverno, ainda mais encolhidos pelo medo quando encontrávamos um cachorro estranho. Era aconselhado desviar-se do cão pelo fato de estarmos vivendo o mês do cachorro louco. Se fosse hoje, com tantos cachorros soltos pelas ruas, certamente nem saíamos de casa, teria bandos de cachorros loucos a  vagá-las.

Mas o preconceito contra o mês de agosto passou, graças a Deus. Já temos casamentos e batizados no mês ditoso e nossa Padroeira, Santa Rosa de Lima é festejada também no mês de agosto. As vacinas anti rábicas nos dão coragem de passar por cães sem muito temor, ainda que existam dezenas e centenas de cães abandonados e, certamente sem o controle de vacinas. Este é um triste retrato que paira sobre nosso município. Várias vezes observamos a desagradável ação de abandono de cães e gatos às margens das rodovias. Fosse eu uma autoridade encaminharia uma boa multa para quem faz esta ação de dono desnaturado. Será que não tem consciência do que irá sofrer o animal abandonado?

Mas, se as crenças e crendices supersticiosas estão ficando demodê, as manifestações folclóricas estão desaparecendo. Já é uma raridade a brincadeira de um boi de mamão, a festa junina tradicional e as cantorias nos terreiros de casas. Apagam-se os traços da cultura popular e são preenchidos com os esportes, as manifestações de massa dos subúrbios como o funk e os MC de ostentação vão ocupando o lugar das manifestações étnicas e das cantigas de mensagem cultural, aquela que retrata o ser e fazer,  e suas matrizes formadoras dos povos. 

Penso que essa realidade tão badalada e atuante nas fundações e manifestações de hoje, suas vestimentas e seus adereços é que deveriam sair às ruas levando a cara atual da cultura e do pensamento nacional. Elas compõem o círculo que a cultura ocupa atualmente e são dignas representantes do pensamento nacional – Pão e circo. Pensamento cívico deverá ser reservado aos que valorizam sua terra e sua gente, pois esses tem o coração verde  e amarelo.    

ELZA DE MELLO
Postado por ELZA DE MELLO


Cooperaliança