• Brincar é coisa séria

    Por Danilo Vaz

Brincar é coisa séria

10 Out, 2017 14:37:45 - Artigo

Pular corda, esconde-esconde, pega-pega.  Podem mudar de nome, mas estão presentes no mundo inteiro, para que elas aconteçam não se precisa de muitos elementos, basta usar a criatividade e imaginação, e a brincadeira está feita.

Por muitos séculos a criança foi vista com os olhos de gente grande, reconhecida como um adulto em miniatura, sempre olhada de cima, do alto. Há pouco tempo conseguimos enxergar a infância com o olhar da própria criança. E com isso garantir que este momento da vida fosse respeitado e, após muita luta, respaldada legalmente, no Brasil, pela Constituição Federal de 1988, na qual estabelece, em seu Capítulo VII Art. 227, a proteção integral dos direitos das crianças e adolescentes, sendo responsabilidade da família, do Estado e de toda a sociedade a defesa, proteção e garantia destes direitos. Princípios estes que embasam as normativas do Estatuto da Criança e do Adolescente, em 1991.

Sendo assim, para assegurarmos que todas as crianças tenham sua infância garantida, um dos elementos essenciais é a brincadeira, o Direito ao Brincar. Direito este garantido, inclusive pelo ECA, Capítulo II, o qual descreve os direitos relacionados à Liberdade. Brincar é indispensável para que elas entrem em contato com o seu mundo, interno e externo. É na brincadeira que a criança se desafia, busca soluções, usufrui da criatividade, atua com o outro, aprende a questionar, a se colocar e se reconhecer quanto ser humano.

Portanto, é dever de toda a sociedade disponibilizar espaços para que o Brincar aconteça. A brincadeira deve ser livre, com pouca ou nenhuma interferência do adulto. Mas, com a ascensão da era da informação e tecnologia, nós, adultos começamos a confundir a infância com o consumo, começamos a disponibilizar o tablet, o computador, os brinquedos eletrônicos, as maquiagens “infantis” e tudo aquilo que já está estava ao nosso alcance e que são contrários a tudo o que a brincadeira livre representa.

Podemos medir o impacto do consumo na infância observando que durante a crise econômica no Brasil, onde mercado infantil foi um dos que se mantiveram em crescimento. Além disso, podemos citar também o fenômeno do Youtube, os vídeos “open-box”.  Neles, os internautas podem observar os brinquedos sendo retirados das embalagens, alguns criadores destes conteúdos chegam a criar um diálogo entre esses brinquedos, prendendo a atenção de nossas crianças, as quais, em seguida ou compram ou se satisfazem com o produto após assistirem por diversas vezes o mesmo vídeo.

É direito das crianças o acesso à informação e a tecnologia, porém sempre com muito cuidado e orientação dos responsáveis para que elas não vivam à serviço do mercado e destas novas ferramentas. Por isso, nós, adultos, pais, responsáveis, educadores, políticos, toda a sociedade precisamos garantir e fortalecer o espaço do brincar. Neles o mundo tem outro significado para crianças, os problemas sociais não interferem, os conflitos são solucionados com sorrisos e abraços. Ao brincar, as crianças ampliam suas formas de expressão, que é fator fundamental para a criação de novos valores, rumo a uma cultura de paz.

É da caixa que surge os grandes castelos, dos tecidos que surgem os belíssimos vestidos, cabelos e cabanas, é dos elementos da natureza que surgem cidades, foguetes e super-heróis. São das coisas simples que as crianças gostam, tudo o que elas precisam são de espaços de liberdade, onde a imaginação consiga criar e projetar as suas belíssimas estórias.  O adulto pode aproveitar e se tornar um personagem se for convidado, assim ele terá o prazer de voltar a infância sem passar pela fonte da juventude.

Brincar é coisa séria, se hoje ela é garantida por lei, é porque em algum momento violamos este direito. O convite para este tempo é nos unirmos contra o trabalho infantil, exploração e abuso sexual, publicidade infantil e qualquer outro meio de violação, e garantirmos a infância para todas as crianças. Brincar é coisa séria!

Danilo Vaz é coordenador pedagógico do Centro Social Marista Caçador.


REDAÇÃO JINEWS
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